AM deve perder 292 profissionais com a saída de Cuba do Mais Médicos

O Estado tem 78 médicos para o atendimento específico da Saúde Indígena. A Embaixada de Cuba informou que dentro de dez dias os médicos cubanos começam a retornar para o País

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O Amazonas tem 292 médicos cubanos ativos no Programa Mais Médicos -desse total, 78 são dedicados à atenção indígena, conforme os dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde (MS). Na quarta-feira (14), o órgão informou que recebeu o comunicado da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), sobre o encerramento da parceria no programa Mais Médicos. A Embaixada de Cuba informou que dentro de dez dias os cubanos começam a retornar para o País.

O governo cubano anunciou que a atitude foi tomada em resposta às declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) com maior número de médicos cubanos no País está no Amazonas. Em todo o Brasil, os médicos cubanos representam 87% do total de médicos que atuam na Saúde Indígena no País.

O governo federal afirmou que está adotando todas as medidas para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da Saúde da Família que contam com profissionais de Cuba. “A iniciativa imediata será a convocação nos próximos dias de um edital para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos. Será respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no Brasil seguida de brasileiros formados no exterior”, comunicou o MS.

O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) com maior número de médicos cubanos no País está no Amazonas. (Foto: Eraldo Lopes/Diário do Amazonas)

O Ministério disse, ainda, que vem trabalhando na diminuição de médicos cubanos no programa, desde 2016. Até aquela data, cerca de 11.400 profissionais de Cuba trabalhavam nos Mais Médicos. Neste momento, 8.332 das 18.240 vagas do programa estão ocupadas por eles. No Amazonas, 214 atuam como médicos da família em municípios do interior e outros 78 estão na Saúde Indígena.

Yiliam Jiménez, do Ministério da Saúde Pública de Cuba, destacou, em abril deste ano, em uma conferência sobre saúde que uniu o Brasil e Cuba na capital Havana, as diferenças entre os dois países em termos econômicos, de tamanho da população e quantidade de médicos. Enquanto o Brasil tem 1,8 médico por 1 mil habitantes, Cuba tem 7,5, conforme a Opas.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Glademir Aroldi, divulgou, ontem, nota na qual ressalta a preocupação dos prefeitos das cidades com menos de 20 mil habitantes com a saída dos 8,5 mil profissionais cubanos que atuam no programa Mais Médicos. A entidade alerta que é preciso substituí-los sob o risco de mais de 28 milhões de pessoas ficarem desassistidas. “A presente situação é de extrema preocupação, podendo levar a estado de calamidade pública, e exige superação em curto prazo”, diz a nota. “Acreditamos que o governo federal e o de transição encontrarão as condições adequadas para a manutenção do programa.”

Na quarta-feira (14), Bolsonaro levantou dúvidas sobre a capacidade profissional dos cubanos e anunciou o rompimento do acordo com Cuba no Mais Médicos. Na nota, a CNM apelou para a ampliação do programa para municípios e regiões com dificuldade de cobertura médica.