Amazonas tem a segunda maior taxa de mortalidade por HIV/Aids do País

Nos 30 anos da doença no Brasil, o Amazonas registrou 4.099 mortes por causa básica – Aids. Em toda Região Norte foram mais de 15 mil pessoas que sucumbiram ao vírus HIV

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Em 30 anos de luta contra a aids, 17.786 pessoas receberam o diagnóstico positivo para o HIV no Amazonas. Nos últimos 12 anos (2007-2018), o número de pessoas infectadas com o vírus ainda incurável cresceu quase 30 vezes no Estado. Os dados são do Ministério da Saúde (MS), que divulgou, nesta terça-feira (27), o novo Boletim Epidemiológico de 2018 e mostrou que o Amazonas tem a segunda maior taxa de mortalidade por HIV/Aids.

Em todo ano passado, foram 1.509 novos diagnósticos, já no primeiro semestre, deste ano, foram 740 pessoas coma confirmação do vírus. Empatado com o Rio de Janeiro, o Amazonas registrou, ano passado, 7,8 mortes por 100 mil habitantes, atrás somente do Rio Grande do Sul (9,0). O Estado está entre as 11 Unidades da Federação que apresentaram coeficiente superior ao nacional, que foi de 4,8 óbitos por 100 mil habitantes, conforme apontou o Boletim.

Nos 30 anos da doença no Brasil, o Amazonas registrou 4.099 mortes por causa básica – Aids. Em toda Região Norte foram mais de 15 mil pessoas que sucumbiram ao vírus, segundo o levantamento do Ministério da Saúde.

Em todo ano passado foram 1.509 novos diagnósticos de HIV (Foto: Agência Brasil/Divulgação)

Gestantes e crianças

O Amazonas ainda está entre os três Estados do Brasil que apresentaram crescimento na taxa de detecção de HIV em gestantes em relação ao ano passado. Lideram a lista, o Rio Grande do Sul (9,5 casos/mil nascidos vivos), Santa Catarina (5,2) e Amazonas (3,9). Completam a lista os Estados do Pará (3,4), Alagoas (3,2), Mato Grosso do Sul (3,2) e Paraná (2,9).

Em números absolutos, desde o ano 2000 até o primeiro semestre deste ano, o MS notificou o contágio do HIV para 3.164 grávidas. Este ano, 135 soropositivas gestantes já foram identificadas pelo órgão.

Os altos índices de transmissão vertical fez a capital amazonense figurar entre as cidades com maior número de detecção de crianças com o HIV/Aids no Brasil. Em quarto lugar na estatísticas, a cada mil nascidos vivos de gestantes com HIV, 6,1 crianças nasceram com a doença.

De acordo com o MS, a transmissão vertical do HIV, quando o bebê é infectado durante a gestação, pode ser evitada com o devido acompanhamento no pré-natal. No ranking do índice composto, o Amazonas ocupou a 5ª colocação. A lista leva em consideração os índices de detecção e a taxa de mortalidade na população adulta e infantil.

Brasil

O Brasil chegou aos 30 anos de luta contra o HIV e aids com registro de queda no número de óbitos por aids no País. Segundo o Boletim Epidemiológico, em quatro anos, a taxa de mortalidade pela doença passou de 5,7 por 100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos em 2017.

Os novos números da epidemia revelam que, de 1980 a junho de 2018, foram identificados 926.742 casos de aids no Brasil, um registro anual de 40 mil novos casos. Em 2012, a taxa de detecção de aids era de 21,7 casos por cada 100 mil habitantes e, em 2017, foram 18,3, queda de 15,7%. Na comparação com 2014, a redução é de 12%, saiu de 5,7 para 4,8 casos por 100 mil habitantes.