Amazonense recebe prêmio nacional

Davi Kopewa, xamã e líder político dos ianomâmis, será um dos dez homenageados em comemoração aos 30 anos do Itaú Cultural e receberá R$ 100 mil, hoje, durante evento em São Paulo

Da Redação/redacao@diarioam.com.br

A luta de Davi Kopewa, pelo respeito aos indígenas, foi fator predominante para ser selecionado pela instituição (Foto: Divulgação)

Manaus – Quando o xamã e líder político Davi Kopewa ‘lutou’ bravamente pelo reconhecimento da Terra Indígena Ianomâmi, por parte do governo brasileiro, em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), não imaginou que uma ‘recompensa’ por sua bravura viria tanto anos depois.

Em comemoração às três décadas de sua fundação, o Itaú Cultural criou um prêmio especial para homenagear dez personalidades e instituições que, de alguma forma, prestaram relevante serviço para a cultura e arte brasileiras e, nessa lista, está Kopewa, que receberá, hoje, durante solenidade no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, em São Paulo, a quantia de R$ 100 mil, bem como um troféu.

“As autoridades não indígenas escutam muito pouco. Elas não estão acreditando no nosso trabalho, na nossa luta para preservar o nosso lugar, o lugar onde nascemos e onde queremos permanecer até acabar a nossa vida”, disse ele, por meio da assessoria do Itaú Cultural.

Kopewa é um incansável defensor da Floresta Amazônica e do seu povo, composto de mais de 600 comunidades entre as regiões Norte do Brasil e sul da Venezuela. É fundador da Associação Hutukara, que representa grande parte da etnia, no território nacional, e teve sua trajetória, sua visão de mundo e suas preocupações acerca do meio ambiente comentadas nos relatos do etnólogo Bruce Albert e que resultaram no livro ‘A Queda do Céu’, publicado no Brasil, em 2015.

A premiação, que é dividida em cinco categorias (Aprender, Criar, Experimentar, Inspirar e Mobilizar), contemplará, ainda, outros noves personalidades: Ana Mae Barbosa, Mestre Meia Noite, Lia Rodrigues, Véio, Hermeto Pascoal, Teatro da Vertigem, Eliana Sousa e Silva, Niède Guidon e Sueli Carneiro.

Luta

Segundo Valéria Toloi, gerente do Núcleo de Educação e Relacionamento do Itaú Cultural e Integrante da comissão de seleção do prêmio, “eles (ianomâmis) pedem somente nosso respeito, pedem espaço, direitos, eles querem a terra que é deles desde sempre”.

“Quando penso em Davi, lembro de sua resposta para aquela pergunta que martela o tempo todo na minha cabeça: qual a nossa missão, a missão dos napë (brancos), para evitar que o céu caia? Sua resposta não foi direta. Sutilmente, ele indicou que nós devemos entender que este tempo de agora não é mais nosso. É deles, dos ianomâmis, dos mundurucus, dos caxinauás, dos xavantes, dos crenaques, dos guaranis e de tantos outros. É o tempo deles de segurar o céu. Por eles e por nós eles fazem isso”, lembra.

E completa: “Nossa missão de napë? Educar nossos filhos, ensinar a eles os valores íntegros desses homens e mulheres, mostrar aos nossos filhos que o mundo não é dos brancos, que os privilégios não devem ser nossos. Que temos muito a aprender nesse mundo para que o céu não caia, e que precisamos, sim, de ajuda”, finaliza.