Após decisão judicial, caminhoneiros afirmam que vão manter paralisação: ‘caminhão não roda’

Descartando manifestação no Porto Chibatão, líder do movimento diz que veículos estão parados em garagens

Bruno Mazieri / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Após decisão da Justiça Federal do processo nº 1001826-52.2018.4.01.3200 emitida na noite desta sexta-feira (25) para que caminhoneiros liberassem a Rua do Marapatá, no bairro Distrito Industrial, zona sul da cidade, um dos representantes da categoria na Região Norte, Edmilson Aguiar, afirmou que a paralisação permanecerá por tempo indeterminado.

A ação foi ingressada na 3ª Vara da Justiça Federal , cujo autor é a Atém Distribuidora de Petróleo S.A. A desobstrução da via foi determinada pelo juiz federal Ricardo Augusto de Sales. Segundo o representante do grupo de manifestantes, Edmilson Aguiar, os caminhoneiros permanecem parados. “Os caminhões permanecem parados, mas nas garagens. A nossa determinação é: caminhão não roda”, diz Aguiar.

Ainda de acordo com o representante, mais de cem caminhões estão estacionados e esperam o resultado de uma nova reunião que será realizada ainda na tarde deste sábado. “Acabei de sair de uma reunião, na zona norte, e estou indo para outra. Esse segundo encontro é para decidir novas medidas que serão tomadas para greve”, explica Aguiar, descartando possível manifestação no Porto Chibatão, no bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Sul.

Os postos de combustíveis de Manaus começaram a ser reabastecidos, no início da manhã deste sábado (26), após a decisão da Justiça Federal determinar a liberação da Rua do Marapatá que dá acesso à refinaria de Manaus. Na noite desta sexta-feira (25), o prefeito de Manaus, Arthur Neto, decretou estado de emergência por causa da falta de combustíveis na capital.

Postos das zonas centro-sul, norte e leste começaram a operar no início da manhã. Segundo Aguiar, os caminhoneiros que mantêm a paralisação não estão ligados aos que trabalham no reabastecimento dos combustíveis na capital. Segundo ele, a determinação é que os caminhões não rodem, o que pode prejudicar o fornecimento de alguns insumos como materiais de construção e alimentos.

Decisão Judicial

Na noite desta sexta-feira, o grupo de caminhoneiros que estava acostado no Km 2 da BR 174, suspendeu a paralisação no local, e se dirigiu para a refinaria de Manaus. Porém, depois das 21h, uma oficial de Justiça, acompanhada da Polícia Militar (PM) e órgãos de trânsito do estado e município, levou a determinação da Justiça Federal até os caminhoneiros, que liberaram o acesso à refinaria.

O representante dos caminheiros em Manaus, Edmilson Aguiar, disse que os manifestantes foram “obrigados” a liberar a via, por conta da decisão judicial. “Resolvemos cumprir porque o Estado não está ao lado do nosso povo. Se fosse só os caminhoneiros, permaneceríamos, mas muitas pessoas já tinham apoiado nossa paralisação, e tínhamos medo de muita gente sair ferida”, disse.

CMA reforça ações

O Comando Militar da Amazônia (CMA) anunciou, neste sábado (26), que vai participar de um “esforço integrado” para que as atividades de abastecimento de combustíveis seja normalizado na Amazônia Ocidental. A medida atende ao Decreto Presidencial Nº 9.382, de 25 de maio de 2018.

Segundo nota enviada pelo Comando, “há, neste momento, evolução satisfatória, do quadro situacional, mensurável pela desobstrução das vias públicas até então bloqueadas e pela melhoria no fluxo de suprimentos diversos em todo o Estado do Amazonas, o qual continua sob monitoramento, diuturno das diversas Instituições que participam do esforço já afirmado”.