Caso Sotero: delegado deve ser ouvido na Justiça pela primeira vez nesta quarta

Além de ser ouvido durante a audiência de instrução, também deve ser definido, nesta quarta-feira, se Gustavo Sotero irá à júri popular

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O delegado da Polícia Civil (PC) Gustavo Sotero será ouvido, nesta quarta-feira (18), pela primeira vez na Justiça. Nesta terça-feira (17), o advogado Cláudio Dalledone Júnior informou que além de ser ouvido durante a audiência de instrução, também deve ser definido nesta quarta se o delegado irá à júri popular.

O delegado Gustavo Sotero é acusado de matar a tiros o advogado Wilson Filho. (Foto: Chico Batata/Divulgação TJAM)

A defesa acredita que, até agora, tudo indica que o advogado não seja absolvido sumariamente da acusação de ter assassinado o advogado Wilson de Lima Justo Filho, em novembro de 2017, no Porão do Alemão, na zona centro-oeste. Por volta das 9h desta terça-feira (17), iniciou o segundo dia de audiência de instrução 1ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum Ministro Henoch Reis, no Aleixo. Ao todo, cinco testemunhas foram ouvidas.

A tese de legítima defesa apontada por Dalledone, mesmo após os cinco disparos do delegado, ainda foi sustentada pelo advogado em entrevista à REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC). “É muito claro, as imagens dão nota. É nítido o que acontece, um cessada a agressão, o agressor neutralizado não se tinha mais o que disparar e não foram feitos mais disparos”, disse o advogado.

A defesa do delegado informou ainda que, um memorando sigiloso foi repassado aos policiais, dias antes do homicídio. O documento deixava em alerta as autoridades policiais sobre possíveis represálias criminosas. Sotero, que é acusado da morte do advogado teria reagido a um agressão com cinco disparos de arma de fogo em decorrência do alerta, segundo a advogada de Sotero, Carmen Romero.

“Devemos levar em consideração que ele é um delegado e está sempre em estado de alerta. Não sabia, naquele momento, se era um criminoso, alguém que ele já tinha ‘flagranteado’. Recentemente (ao dia do homicídio), inclusive, ele recebeu um documento oficial sigiloso dizendo que os policiais deviam ficar em estado de alerta, porque iria ocorrer uma retaliação contra policiais”, informou a advogada.

Além do crime de homicídio, Sotero ainda responde a lesão corporal contra Fabíola Rodrigues Pinto de Oliveira, viúva do advogado, Maurício Carvalho Rocha e Iuri José Paiva Dácio de Souza, que foram baleados no dia do assassinato. O juiz titular do caso foi alterado. Com a saída da juíza Mirza Thelma da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Celso Paula passou a assumir o caso. No processo, ao todo, 13 testemunhas foram intimadas pelas partes.

Diferentemente da primeira fase da instrução, em que a viúva preferiu não depor com a presença do delegado, desta vez o delegado participou de toda a audiência. O Policial Militar que atendeu a ocorrência e outra testemunha que socorreu as vítimas Maurício e Yuri, já foram ouvidas, segundo o TJAM.

Participam da segunda fase de instrução, um representante da Ordem dos Advogados do Brasil secção Amazonas (OAB-AM), do Sindicato de Funcionários da Policia Civil do Amazonas (Sinpol), a defesa do delegado e a promotor do MP-AM, Armando Gurgel.

No terceiro dia de audiência sobre o caso, nesta quarta-feira (18), devem ser ouvidos três delegados: Alessandro Albino, Joice Santana, Ana Cristina Braga, além de uma escrivã, Sara Mônica Barbosa, conforme informou o TJAM. Nesta quarta, também deve ser decidido se o delegado vai à júri popular. “Ele está convicto que agiu em legítima defesa. Está ansioso para ser ouvido, de ser oportunizado o direito à defesa”, disse Romero.