Comandante do Exército critica falta de exploração das riquezas da Amazônia

Durante audiência pública no Senado Federal, general Eduardo Villas Bôas revelou que projeções calculam em cerca de 23 trilhões de dólares o potencial em recursos naturais na região

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

General recebeu apoio de senadores na defesa da Amazônia (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Brasília – Em audiência pública, ontem, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas exaltou o potencial da Amazônia e defendeu a preservação da floresta. “O Brasil é uma nação sem consciência da sua própria grandeza e das riquezas presentes em seu território”, disse o general.

Villas Bôas revelou que projeções trabalhadas pelo Exército calculam em cerca de 23 trilhões de dólares o potencial em recursos naturais existente na região amazônica. Apesar disso, não existe, segundo ele, nenhum projeto específico de aproveitamento destas gigantescas riquezas, refletido ainda no entender de Villas Bôas na ausência de um projeto nacional como um todo. Ele concordou com a afirmação do senador Roberto Requião (PMDB-PR) de que “o Brasil é grande demais pra abrir mão de um projeto nacional”.

“É exatamente isso, o Brasil é um superdotado num corpo de adolescente. A Amazônia continua praticamente abandonada, falta um projeto e densidade de pensamento”, afirmou o comandante do Exército.

O comandante do Exército também fez questão de reiterar que vê com “preocupação” uma maior abertura para a exploração das riquezas minerais por empresas de fora. Mencionou que o Exército tem levantamentos sobre a “estranha coincidência” entre a demarcação de terras indígenas com a presença das riquezas minerais.

Para o general, o País continua vítima de uma visão que contrapõe o desenvolvimento à preservação ambiental. “Morei lá por oito anos e penso justamente o oposto. O que vai salvar a região amazônica, inclusive a natureza, é o desenvolvimento. É a implantação de polos intensivos para empregar aquela grande mão de obra, impedindo que ela vá viver do desmatamento extensivo”, defendeu.

Villas Bôas acrescentou que percebe as populações indígenas hoje como as principais vítimas do atual modelo aplicado à região, pois seriam utilizados por interesses ligados ao ambientalismo na definição de unidades de conservação e depois “abandonados à própria sorte”. Concluiu afirmando que a crise na Amazônia é um reflexo da ausência de um projeto como um todo para o país e sua “vulnerabilidade” a ações externas.