Quase 50 mil faltam ao segundo dia do Enem, no Amazonas

O Amazonas foi novamente o Estado com o maior percentual de faltosos no segundo dia de prova, com 37,5% do total de inscritos (123.800). Foram 46,4 mil que não fizeram as provas

Da Redação, Filipe Távora e Álisson Castro / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Assim como no primeiro dia (4) de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Amazonas foi novamente o Estado com o maior percentual de faltosos no segundo dia de prova, com 37,5% do total de inscritos (123.800). Foram 46,4 mil que não compareceram ao segundo dia, nesse domingo (11), ou perderam o horário das provas. Na primeira etapa, o percentual de faltosos foi de 32,6% (40,359 mil).

Quem compareceu ao segundo dia de provas, em Manaus, considerou as questões de cálculo dessa etapa mais difíceis. “Foi um exame bem estressante, a parte dos cálculos, em matemática e química, estava bem complicada”, disse Daniel do Nascimento, 43, que tenta vaga para Geografia.

Já para Amanda dos Santos Serrão, 21, a prova foi mais fácil nesse ano, em comparação a dos anteriores, que ela prestou, e representa uma oportunidade de mudança de vida. “Não estava tão difícil quanto eu esperava. Deu para resolver as questões ‘de boa’”. A candidata trabalha, atualmente, como atendente, e está concorrendo a uma vaga para o curso de Letras. “Quando nos acomodamos, o tempo vai passando e a gente nem percebe”, disse.

ENEM 2018

Para o concorrente ao curso de Direito Carlos Vinícius Souza Amorim, estudante do 3º ano do Ensino Médio, de 17 anos, essa é a primeira vez que ele faz o Enem ‘pra valer’, já tendo prestado o exame nos três anos anteriores, para se testar. “Eu esperava que geometria caísse bastante nesse segundo dia de prova, e realmente foi bastante o que aconteceu”, relatou. “Mas foi uma prova bem fácil, a meu ver”, disse.

O concorrente contou, também, que já vem prestando o exame há três anos, e entrou em um cursinho, para melhorar o desempenho. “Nesse ano, estou terminando o Ensino Médio. Essa preparação que eu fiz foi essencial para que eu conseguisse realizar uma prova mais fácil, nesse ano”, contou.

A candidata Ávila Fernanda de Souza Ferreira, 18, já está cursando o curso de Odontologia, mas decidiu prestar o Enem para não ‘enferrugar’. “Eu fiz a prova para manter o costume e me manter atualizada dentro dos conteúdos, principalmente quanto à redação”, disse.

Mas, para ela, os cálculos do segundo dia de prova estavam difíceis. “Como eu não sou muito de exatas, a prova foi um pouquinho difícil sim”, afirmou.

O ministro da Educação, Rossieli Soares, reafirmou, nesse domingo, em coletiva sobre o exame, a segurança e a qualidade das provas do Enem. Segundo Rossieli, a elaboração das questões segue um ritual composto de várias etapas previstas no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). “O processo segue todos os ritos de segurança e aquilo que é necessário para que tenhamos uma prova com qualidade”, disse o ministro, ao ser questionado sobre críticas ao exame feitas pelo presidente eleito e estudantes.

Na semana passada, o presidente eleito Jair Bolsonaro criticou temas tratados na primeira prova do Enem – linguagens, redação e ciência humanas. Ele se referiu a uma questão que abordou expressões ligadas ao universo homossexual.

Estudantes repercutem tema da Redação sobre dialeto LGBT

Estudantes, em Manaus, comentaram as expectativas quanto ao segundo dia de Enem e se dividiram quanto as críticas do presidente eleito Bolsonaro a respeito de questão que tratou de ‘dialeto’ LGBT, na prova aplicada no último domingo (4).

Na Universidade Paulista (Unip), o estudante Severino Constâncio,17, afirmou ter feito curso preparatório e, por isto, tinha boa expectativa quanto a prova de nesse domingo. “Fiz os aulões e espero chegar a uma nota média de 80, por aí. Fora o estudo do próprio colégio, fiz cursinho e estudei em casa também”, disse.

Quanto a polêmica envolvendo a questão sobre dialeto LGBT e o presidente eleito, o candidato disse que Bolsonaro quer demonstrar um poder que ainda não tem. “Esta é a opinião dele, pode dizer o que quiser, temos que ver se será possível fiscalizar as questões do Enem”.

Gabriela França Pelegrini, estudante de 18 anos, comentou estar um pouco nervosa. Ela opinou não fazer sentido o governo federal querer ver as provas antes de serem aplicadas para verificar o conteúdo. “A questão do dialeto, motivo de toda polêmica, está dentro tanto do contexto histórico quanto atual. O dialeto envolve questão cultural, tanto que não é apenas a comunidade LGBT que usa, vem de origem da umbanda, do candomblé. Tem toda uma origem africana”, afirmou.

A estudante Valéria Priscila Cabral, 24, disse que as provas do Enem devem ser melhor analisadas para evitar “militância”.