Em Manaus, famílias venezuelanas recebidas em abrigo terão acesso à saúde e cursos

Em maio, 122 pessoas passaram pela Casa de Acolhimento Santa Catarina administrada pela Cáritas Arquidiocesana. Todos já estão com moradia, trabalho e matrícula escolar

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Chegou nesta terça-feira (28) a Manaus mais um grupo de venezuelanos que deixaram a capital de Roraima, Boa Vista. Ao todo 63 venezuelanos desembarcaram na capital amazonense pelo processo de interiorização dos migrantes que cruzaram a fronteira do país, fugindo da crise político-econômica. João Pessoa (69) e São Paulo (53), receberam os migrantes em busca de novas oportunidades.

Ao todo 63 venezuelanos desembarcaram na capital amazonense pelo processo de interiorização dos migrantes (Foto: Divulgação/Acnur)

Do grupo, 13 são crianças de idades variadas, conforme informou o padre Orlando Barbosa, vice-presidente Cáritas Arquidiocesana. O órgão, em conjunto com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) são os responsáveis pelo acolhimento dos 63 venezuelanos que foram trazidos no avião da Força Aerea Brasileira (FAB).

Todos os venezuelanos que migram para outras cidades recebem vacina e são submetidos a exame de saúde. A situação deles no país também é regularizada e os migrantes passam a ter CPF (Cadastro de Pessoa Física) e carteira de trabalho. “Só embarcam com toda a documentação e carteira de vacinação em dia, atualizada”, reforçou o assistente de campo da Acnur no Amazonas, Sebastian Roa.

Dois, dos 65 previstos não chegaram ao abrigo como anunciado pelo Governo Federal inicialmente. Quando questionado, Roa afirmou somente que não se tratava de uma questão ligada à saude e que não poderiam divulgar a informação.

De acordo com a Cáritas, este é a segundo grupo recebido pela entidade, Em maio, 122 pessoas passaram pela Casa de Acolhimento Santa Catarina de Sena, no bairro Petropolis, na zona sul de Manaus. Todos já estão com moradia fixa, trabalho e matrícula escolar e não necessitam mais do abrigo, conforme indicou o padre.

Após a chegada em Manaus, os venezuelanos devem receber, segundo Barbosa, o atendimento de saúde aos refugiados, a matrícula das crianças em escolas, e ainda um reforço para o ensino da Língua Portuguesa e cursos profissionalizantes.

“Em maio tivemos 122 venezuelanos, todos já estão integrados em Manaus, integrado nas escolas, estão nas próprias casas. O que queremos é que eles tenham novas oportunidades. O processo migratório é uma realidade em todo o mundo, que devemos também acolher”, disse o padre.

Na casa onde foram recebidos, a Cáritas e o Acnur disponibilizaram 22 pessoas, entre voluntários e técnicos para dar atendimento ao grupo, segundo Barbosa.

Para o representante da Acnur, o Estado e o município só tem a ganhar com a chegada das famílias venezuelanas. “Os estudos mostram que o fluxo migratório são constantes. A migração é um contexto global, 68 milhões foram deslocadas do seu País, em busca de novas oportunidades”, afirmou Roa.