Em seis meses, app registra 47 policiais armados em casas noturnas de Manaus

Atualmente, 13 casas noturnas estão cadastradas no aplicativo que monitora a entrada de policiais civis, militares e homens do Corpo de Bombeiros em estabelecimentos na capital

Maria Luiza Dacio / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Lançado em dezembro de 2017, o aplicativo ‘Balada Segura’ foi criado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) para controlar e monitorar, em tempo real, a entrada de policiais civis e militares e homens do Corpo de Bombeiros portando armas de fogo em casas noturnas da capital amazonense. Em seis meses de funcionamento, o aplicativo registrou que 47 policiais entraram nesses estabelecimentos armados. O chamado botão do ‘pânico’, segundo a SSP, nunca foi acionado.

Em entrevista à REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC), a Corregedora-Geral da SSP em exercício, Sansha Sodré, afirmou que o aplicativo é inédito no País. O ‘Balada Segura’ ajuda os proprietários e gestores das casas noturnas a terem um controle maior sobre policiais que frequentam estabelecimentos portando arma de fogo, mas, segundo a corregedora, o aplicativo só é válido para oficiais do sistema de segurança pública do Estado. “Órgãos como Polícia Federal, por exemplo, não são da nossa competência”, explicou.

O funcionamento da ferramenta se dá da seguinte maneira: o sistema está disponível a proprietários dos estabelecimentos comerciais mediante cadastro na Corregedoria Geral do Sistema de Segurança e as casas noturnas se habilitam para poder participar e ter o controle por meio de notificações enviadas para o aplicativo. “É uma série de requisitos que as casas noturnas precisam ter para que possam se cadastrar”, disse a corregedora.

Após o cadastro, a Corregedoria acompanha 24h por dia, sete dias da semana, a entrada de policiais armados nos locais. Policiais possuem o porte de arma e podem entrar em qualquer ambiente armados. Para Sansha, o aplicativo vem para oferecer segurança aos empresários e donos de casas noturnas.

“Em caso de qualquer incidente envolvendo membros das forças de segurança pública do Amazonas, que estão sob a nossa jurisdição, o sobre aviso da Corregedoria é acionado para tomar as medidas cabíveis. Se houver algum tipo de incidente, somos acionados para apurar qualquer falta disciplinar do servidor, quando é instaurado o processo cabível”, explicou.

Sem incidentes

De acordo com Sodré, a ferramenta foi recebida muito bem pelos administradores das casas noturnas. “Os empresários do ramo de casas noturnas gostaram bastante da iniciativa. Hoje há 13 estabelecimentos cadastrados. No momento que o servidor chega ao local, ele se identifica e o estabelecimento faz o cadastro”, informou. Desde o lançamento do aplicativo, a SSP-AM não registrou qualquer incidente envolvendo servidores da PC, PM e CB-AM. Nesse período, 47 policiais frequentaram casas noturnas portando arma de fogo até o dia 10 de junho de 2018.

A corregedora confessou não ter alcançado um público tão grande. “Podemos verificar que não é um número tão alto, mas é uma resposta muito positiva em relação ao app, que foi verificar justamente isso. É uma segurança maior para as casas noturnas, população em geral e para o servidor, que é amparado legalmente para portar sua arma de fogo onde quer que ele esteja”, defendeu. “O aplicativo funciona muito bem para a ideia que ele foi lançado, o objetivo de informar a nós quem são esses frequentadores, é plenamente alcançado. Ele estará em funcionamento por tempo indeterminado”, completou.

Caso Sotero

O aplicativo da SSP foi lançado após a morte do advogado Wilson de Lima Justo Filho, 35, na casa noturna Porão do Alemão, na zona oeste de Manaus, onde o delegado da Polícia Civil (PC), Gustavo Sotero, é acusado pela justiça como responsável pela ocorrência. A morte ocorreu em novembro de 2017. O delegado vai para a sua primeira audiência judicial pelo homicídio nesta quinta-feira (14). Questionada se a ideia da criação do aplicativo teria surgido após o caso, a corregedora negou e afirmou que o app já era um plano antigo. “Já era um projeto da Secretaria que foi lançado naquele período”, finalizou.