Em seis meses, casos de violência doméstica chegam a 7,4 mil em Manaus

No período também foram registrados 19 estupros, 14 casos de sequestro e cárcere privado e um caso de feminicídio. A polícia efetuou a prisão de 164 autores de violência doméstica contra a mulher

Da redação

Manaus – De janeiro a junho, a capital do Amazonas registrou 7.458 casos de violência doméstica, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).  As situações envolvem, principalmente, crimes como injúria, lesão corporal e vias de fato. No período também foram registrados 19 estupros, 14 casos de sequestro e cárcere privado e um caso de feminicídio.

Além das vítimas, denúncias de casos de violência contra a mulher também podem ser feitas por parentes, vizinhos e amigos, de forma sigilosa (Foto: Sandro Pereira)

O número de inquéritos pedindo a concessão de medidas protetivas para mulheres vítimas de violência, em Manaus, também cresceu 57,3% entre janeiro e julho deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Os pedidos protocolados na Justiça pela Polícia Civil alcançaram 2.602 mulheres que enfrentam situações de violência doméstica.

Os crimes são tipificados na Lei Maria da Penha, que completa 12 anos nesta terça-feira (7). Segundo a titular da Delegacia da Mulher, Débora Mafra, as medidas protetivas fortaleceram o combate à violência. Em abril deste ano, o descumprimento das medidas passou a ser punido com prisão de três meses a dois anos em regime fechado. De abril até junho, oito agressores foram presos por essa violação.

“A medida representa que o agressor vai ser retirado de casa e não poderá chegar perto dela, nem de familiares, com o estabelecimento de uma distância mínima e a limitação do direito de visita aos filhos. O pedido é feito na própria delegacia e nós formalizamos e entregamos à Justiça imediatamente, online, e o deferimento é em 48 horas. Em 99% dos casos, a Justiça acata”, disse.

No Amazonas, as mulheres vítimas também contam com instrumentos importantes como o botão “Alerta Mulher”, que permite o acionamento emergencial da Polícia Militar. “Também intensificamos as ações de busca de documentos e pertences para aquelas que deixam a casa e vão para o abrigo. Além disso, temos duas delegacias que trabalham diuturnamente para atender e proteger essas mulheres”, afirmou.

Além dos atendimentos e do trabalho policial, as delegacias apoiam as ações educativas. Este ano, a SSP-AM criou o projeto “João e Maria”, que alcançou mais de 100 mil pessoas em Manaus com palestras sobre violência contra crianças e adolescentes, mulheres e idosos. Segundo a avaliação da delegada, é justamente o trabalho educativo que consegue motivar as vítimas a quebrarem o ciclo de violência.

“Quando a gente conversa com cada vítima constata que muitas vivem por anos naquele relacionamento abusivo até o momento de ir à delegacia resolver. A maioria vive no ciclo de violência, o marido bate, pede perdão e como ela tem vários vínculos com ele, como os filhos e a vida em comum, ela acaba acreditando e perdoando. Até o dia que ela percebe que ele não vai mudar”, avaliou.

De janeiro a julho deste ano, a DECCM efetuou a prisão de 164 autores de violência doméstica contra a mulher. Desse total, 137 foram presos em flagrante.

Prevenção

Antes de chegar à delegacia, a prevenção ainda é a melhor aliada para quebrar o ciclo de violência. Procurar ajuda profissional, terapia de casal e uma religião podem surtir efetivos positivos. “Dificilmente a mulher vai conseguir contornar sem ajuda. Muitas vezes a denúncia é um passo para o autor entender que está errado. A delegacia é uma forma de amparo à família. A partir daí, mesmo que seja um registro de boletim de ocorrência, eles recebem encaminhamento para o atendimento psicossocial, da vítima e do agressor”, disse Andréa Nascimento. As delegacias contam com o Serviço Apoio Emergencial à Mulher (Sapem), com equipes multiprofissionais.

Delegacias

Quando a tentativa de terminar a relação é infrutífera, o caminho para enfrentar o caso é o auxílio policial. Em Manaus, os registros de queixas podem ser feitos nas duas unidades de Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), localizadas na avenida Mário Ypiranga Monteiro, Parque Dez, zona centro-sul, e na rua Santa Ana, Cidade de Deus, zona norte, atrás do 13º DIP. Os casos também podem ser registrados em qualquer delegacia de polícia na capital e interior.

Além das vítimas, denúncias de casos de violência contra a mulher também podem ser feitas por parentes, vizinhos e amigos, de forma sigilosa, através do Disque 181, o telefone de denúncias da Secretaria de Segurança Pública. De acordo com a Delegada Débora Mafra, todos os casos são apurados.