Juiz mantém prisão preventiva de Sotero por morte de advogado, no AM

De acordo com a decisão assinada pelo juiz Celso Souza de Paula, nesta terça-feira (14), o delegado “pode usar sua influência no meio policial para de algum modo ameaçar ou reprimir as testemunhas”

Bruno Mazieri / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Mesmo com a instrução processual finalizada, o juiz Celso Souza de Paula, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, manteve o delegado Gustavo Sotero preso preventivamente, de acordo com decisão assinada por ele, nesta terça-feira (14). Sotero é acusado de assassinar a tiros o advogado Wilson de Lima Justo Filho, em uma casa noturna da zona oeste da cidade, em novembro de 2017.

Sotero é acusado de assassinar a tiros o advogado Wilson de Lima Justo Filho, em uma casa noturna da zona oeste da cidade, em novembro de 2017 (Foto: Sandro Pereira)

A defesa de Sotero entrou com pedido de Revogação de Preventiva, logo após a audiência de instrução, no dia 18 de julho deste ano.

Segundo consta na decisão do magistrado, a defesa alega que “não persistem mais os motivos para a prisão cautelar, considerando que o passar do tempo arrefeceu (esfriamento) qualquer clamor público, assim como, no que pertinente à possibilidade de reiteração criminosa, sustenta-se que as cautelares diversas da prisão seriam suficientes a afastar as circunstâncias fáticas que contextualizaram o evento”.

Além disso, a defesa do delegado, que tem como advogado Cláudio Dalledone, “pondera que seriam adequados o afastamento do cargo, a proibição de frequentar locais do tipo bar e, ainda, a proibição do porte de arma, além de monitoramento eletrônico”.

Já o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) se manifestou contrariamente ao pedido, alegando que o réu representa perigo para a sociedade, uma vez que alegou “viver sob um constante ‘estado de alerta’, pelo fato de ser policial treinado e, com isso, o fato ocorrido pode deixar de ser um fato isolado em sua vida, já que este estado de alerta, poderia levá-lo a agir da mesma forma, cometendo outros crimes ou até o mesmo delito, sempre tentando amparar-se na excludente de legítima defesa, ainda que punitiva”.

O MP-AM ressalta, ainda, que mesmo com as proibições de porte de arma e de frequentar bares, e o uso da tornozeleira eletrônica, nada disso garante que Sotero irá cumprir todas as medidas em sua totalidade.

Após análise, o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri indeferiu o pedido da defesa afirmando, também, a prisão preventiva de Sotero “serve para garantir a ordem pública, pois, reprise-se, ele é um policial civil acusado de sérios crimes e, se for posto em liberdade, gerará no seio social uma sensação indevida de impunidade que poderá causa um aumento de criminalidade indesejado”, concluiu.

Confira o documento da decisão na íntegra!