Mais de 10 mil terceirizados da Saúde estão sem receber salários

Funcionários de hospitais e prontos-socorros de alto porte, maternidade, UPA, SPA e o instituto da mulher estão há, pelo menos, dois meses sem receber, diz Sindipriv

Girlene Medeiros / portal@d24am.com

Foto: Eraldo Lopes/ Diário do Amazonas

Manaus – Mais de 10 mil funcionários de empresas terceirizadas de saúde que atuam em hospitais de Manaus estão com os salários atrasados há, pelo menos, dois meses. É o que aponta um levantamento do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimento de Serviço de Saúde do Estado do Amazonas (Sindipriv).

No Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, zona centro-sul de Manaus, 120 técnicos de enfermagem, contratados pela empresa Nurses, planejam protestar, na próxima semana, ao diminuir a quantidade de funcionários nos turnos do hospital. Os técnicos têm a intenção de pressionar a empresa pelos pagamentos. “É uma forma de chamar a atenção sem perdermos o emprego”, disse o técnico em enfermagem Carlos Carvalho, 31, acrescentando que a intenção dos funcionários é evitar que pacientes fiquem totalmente sem atendimento no hospital.

De acordo com o vice-presidente do Sindipriv, Ailson Zane de Albuquerque, a falta de pagamentos aos funcionários, observada no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, se repete no quadro de funcionários de outras empresas contratados para atuar em hospitais de grande porte da capital, como o Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, Hospital e Pronto-Socorro Dr. Platão Araújo, Instituto da mulher Dona Lindu, Maternidade Estadual Balbina Mestrinho, Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Campos Sales, Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) – Policlínica Danilo Corrêa e Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz.

Segundo o sindicalista, entre as empresas com pagamentos pendentes aos funcionários estão a CC Batista, Serviços de Enfermagem Geral e Especializado do Amazonas Ltda (Segeam) e IS de Souza. O representante do sindicato afirmou que, quando procuradas pelos funcionários, as empresas afirmam que não receberam o recurso que deveria ser repassado pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam). A reportagem tentou contato com as empresas citadas pelo vice-presidente do Sindipriv, mas não localizou as empresas terceirizadas.

Em nota, a Susam apenas informou que os pagamentos pendentes dessas empresas e a efetivação do repasse dos recursos, dependem de autorização por parte da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). A reportagem tentou contato com a Sefaz, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

 

Fisioterapeutas aprovados pedem por convocações

Aprovados no concurso público da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), realizado em 2014, fisioterapeutas reclamam da baixa quantidade de profissionais de fisioterapia convocados pela Susam diante da necessidade dos hospitais de Manaus por fisioterapeutas.

De acordo com o fisioterapeuta Ronny Pereira, 35, foram 252 vagas disponíveis no concurso público, mas só foram convocados 56 fisioterapeutas nas quatro convocações realizadas pela Susam. Ronny argumentou que os hospitais da capital carecem de atendimento de fisioterapia. “Há uma carência muito grande e é uma falta de respeito com nossa profissão”, disse.

O também fisioterapeuta Wagner Lacouth, 33, afirmou que a Susam age com descaso para com os profissionais aprovados no certame. “Alegam falta de orçamento, mas chamam outras profissões com salários parecidos”, reclamou Wagner.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas informou que a convocação dos aprovados no concurso está sendo realizada dentro do prazo legal. Conforme a Susam, a meta da secretaria é convocar todos os aprovados dentro da vigência do concurso, no primeiro trimestre de 2019.