‘Marcha da Resistência Indígena no Amazonas’ deve reunir 2 mil pessoas

Fundação Estadual do Índio promove o ‘Programa Abril Cultural Indígena’, que apoia a realização de manifestações artísticas, culturais e esportivas em alusão ao Dia do Índio

Da Redação / portal@d24am.com

Foto: Jair Araújo

Manaus – A Fundação Estadual do Índio (FEI) promove, até o próximo dia 5, o ‘Programa Abril Cultural Indígena’, que apoia a realização de manifestações artísticas, culturais e esportivas em alusão ao Dia do Índio. As programações acontecem na capital e em diversos polos indígenas no interior do Estado, como São Gabriel da Cachoeira, Lábrea, Manicoré e Benjamin Constant. Em Manaus, a ‘Marcha da Resistência Indígena no Amazonas’ deve reunir 2 mil lideranças indígenas de 30 municípios do Amazonas.

Neste dia 19 de abril, Dia do Índio, a marcha seguirá pelas ruas da capital em direção à Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE) e Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Amanhã, no segundo dia de evento (20/04), a marcha segue para a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Secretaria Municipal de Educação (Semed) e Fundação Nacional do Índio (Funai).

A Marcha da Resistência Indígena no Amazonas 2017 é uma realização da Rede do Fórum de Educação Escolar Indígena (Foreeia), com o apoio da Fundação Estadual do Índio e outros parceiros, tais como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Fundação Nacional do Índio (Funai), Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), Instituto de Articulação de Juventude da Amazônia (Iaja), Ufam, Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amarn), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Pastoral Indigenista da Arquidiocese de Manaus (Piama) e Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam).

Criada em 28 de janeiro de 2016, retroagindo seus efeitos a partir de 1 de janeiro de 2016, a Fundação Estadual do Índio (FEI) tem a missão de promover e coordenar a execução e implementação de políticas públicas indígenas, de desenvolvimento sustentável, em parceria com outras instituições dos governos federal, estadual e municipal, com as comunidades, organizações indígenas e entidades não governamentais, com atividades voltadas para o desenvolvimento sustentável da economia, meio ambiente,  valorização dos conhecimentos e técnicas tradicionais.

Em média, 15 mil indígenas moram em Manaus, segundo fundação

Há muito tempo, a floresta amazônica deixou de ser o lar de milhares de indígenas. A escassez de alimentos, o desmatamento e o avanço das cidades sobre as matas são alguns fatores que motivaram esses povos tradicionais a migrar para áreas urbanas. Em reportagem, a Agência Brasil mostrou as dificuldades enfrentadas pelos indígenas que migraram para Manaus. Na capital amazonense, eles somam entre 15 mil e 20 mil indígenas, de diversas etnias.

Segundo o presidente da Fundação Estadual do Índio, Raimundo Atroari, a estimativa é de 15 mil a 20 mil indígenas de diversas etnias vivendo em contexto urbano. “Acredito que 90% de todos os bairros de Manaus têm indígenas morando. Agora, com uma população maior, nós temos alguns: o bairro das Nações Indígenas, uma área com mais de 700 famílias; o Parque das Tribos, com mais de mil famílias; e Sol Nascente, que é uma área com mais de 300 famílias”, afirma Atroari.

Apesar de buscarem melhores condições de vida na cidade, a maioria dos indígenas tem dificuldade de conseguir emprego. A principal renda deles vem do artesanato. É o que conta o tuxaua ou cacique Moisés Sateré, líder de uma comunidade, em Manaus, onde vivem 14 famílias. “Geralmente, as comunidades estão localizadas em área de risco. A gente sente muita essa dificuldade de viver na cidade. Tudo tem que pagar. A maioria dos Sateré daqui da aldeia está no trabalho informal, sem carteira assinada”, diz o cacique.

O cacique também reclama das dificuldades para acessar os serviços de saúde pública. “Às vezes, a gente não consegue esse atendimento porque muitos profissionais desconhecem a nossa realidade e acabam tendo preconceito com a gente”.

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