Estudo pretende medir radiação solar que atinge o Estado

Por estar na linha do Equador, o Amazonas recebe incidência de luz solar, praticamente, vertical e isso privilegia o Estado, segundo professor

Para Eron Bezerra, o Amazonas precisa aproveitar a riqueza natural e transformá-la em energia solar, alternativa e sustentável (Foto: Divulgação)

Manaus – Em até cinco anos, o Amazonas terá como medir a radiação solar exata que atinge o Estado. A proposta é de pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) que afirmam estar dando o pontapé inicial para a construção do mapa solarimétrico do Amazonas. A ideia dos pesquisadores é estimular o uso de energia solar no Estado.

Por estar localizado na linha do Equador, o Amazonas recebe incidência de luz solar praticamente vertical (em um ângulo de 90º), característica que privilegia o Estado sobre emissão de radiação solar, em relação a Estados brasileiros de outras regiões do País.

Com essa incidência privilegiada, o Amazonas precisa aproveitar a riqueza natural e transformá-la em energia solar, alternativa e sustentável. Atualmente, o Estado dispõe de mensuração estimada que é realizada através de um heliógrafo, aparelho usado no registro diário das horas de insolação ou das horas em que o sol esteve descoberto.

A explicação sobre a incidência de luz solar e a proposta do uso desse recurso natural, através da energia solar fotovoltaica (energia obtida através da conversão direta da luz em eletricidade), é do professor doutor Eron Bezerra, diretor do Laboratório de Agroclimatologia e Sensoriamento Remoto da universidade e coordenador do I Seminário de Meteorologia e Climatologia do Amazonas que está sendo realizado ontem e hoje, na Ufam, e divulga a pesquisa sobre o assunto.

Para mensurar a radiação solar no Estado, segundo o professor, será construído um edifício solar incluindo os dois prédios da Faculdade de Ciências Agrárias, o da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e o Auditório Eulálio Chaves. Bezerra afirmou que a cobertura desses quatro blocos da universidade possui quatro mil metros quadrados e será possível captar 80 megawatts de energia, o que é equivalente ao consumo de cerca de 400 casas populares ou 800 mil lâmpadas de 100 watts.

O professor explicou que cada grupo de equipamentos é capaz de mensurar a radiação solar de um raio de 150 quilômetros. Então, em Manaus, os equipamentos poderão medir a incidência de luz solar na capital e em municípios próximos, como Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Manacapuru, Iranduba e Caapiranga. De acordo com o professor, durante o desenvolvimento da pesquisa, equipamentos serão instalados em outros municípios do Estado para cobrir e medir a radiação dessas regiões.

Para toda a pesquisa, que inclui aquisição dos equipamentos e de 400 painéis solares, ainda não tem orçamento definido. No entanto, a estimativa de Bezerra é de que o projeto não ultrapasse R$ 5 milhões. O professor aponta que o estudo é financiado pela Ufam e que objetiva buscar parcerias que também possam financiar a iniciativa, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Uso da luz solar no dia-a-dia dos amazonenses

De acordo com o professor, é possível usar o aproveitamento da luz solar para a realidade de moradores do Estado, como em comunidade rurais ou até para fornecimento de energia para ônibus, embarcações e até fábricas de gelo, como foi realizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um dos parceiros da pesquisa realizada pela universidade amazonense.

Segundo o professor, há desperdício da radiação solar no Estado que poderia ser convertida em energia. De acordo com Eron, um metro quadrado de terra de Manaus recebe a quantidade de radiação solar responsável pelo consumo de 130 mil lâmpadas. “Nós não absorvemos nem 10% disso com a tecnologia atual. É muita energia que estamos desperdiçando”, afirmou o pesquisador.

Um dos objetivos vislumbrados pelo professor é que a pesquisa finalize com o oferecimento de kits de painéis solares a serem aplicados em espaços residenciais que podem até mesmo ser financiados por meio de linhas de crédito dos bancos. Em Manaus, conforme levantado pela reportagem, por R$ 5 mil, é possível obter painéis que cobrem uma casa e suprem a necessidade de energia de uma família.

O custo ainda é alto, mas o professor acredita que o orçamento de painéis e equipamentos para ambientes residenciais e empresariais possa baratear à medida em que haja aumento do público que adquire essas placas.
Bezerra aponta que o ideal é unir o consumo de energia solar ao de energia elétrica, já que a radiação solar nem sempre está disponível e pode sofrer falhas por causa de fuligem, fumaça e presença de nuvens.

Segundo Eron, há iniciativas de uso de energia solar no Estado, mas atuam com tecnologia desatualizada e sem medição da radiação solar, caracterizando-as como atividades em caráter experimental. Para oferecer equipamentos de conversão para energia solar, de acordo com Bezerra, empresas precisam dessa mensuração que é uma exigência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O pesquisador apontou que o Estado acompanha outras regiões do país que também estão desenvolvendo estratégias para criação de mapa solarimétricos com o objetivo de obter a energia solar como alternativa sustentável.