Rio Negro desce 45 centímetros e volta para casa é iniciada

Após quase um mês de vazante, moradores das áreas atingidas pela cheia, que tiveram que abandonar suas casas durante a subida do rio, já começaram a retornar neste início de julho

Gisele Rodrigues/redacao@diarioam.com.br

Na orla de Manaus, famílias já começam a retornar para as casas (Foto: Gisele Rodrigues/Divulgação)

Manaus – Quase um mês após o início do processo de vazante, o Rio Negro já desceu 45 centímetros, segundo medição do Porto Privatizado de Manaus. Moradores das áreas atingidas pela cheia, que tiveram que abandonar suas casas durante a subida do rio, já começaram a retornar neste início de julho.

O pico da cheia do Rio Negro ocorreu no dia 3 de junho, quando a medição do porto registrou 29 metros. Nos dois dias seguintes, o nível manteve-se estabilizado e apresentou redução na sequência do mês, chegando a marca de 28,55 metros, registrada na última segunda e terça-feira.

O ápice de vazante do Rio Negro ocorre entre agosto e setembro, segundo o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio Oliveira. Ele explica que até o final do mês de julho a vazante é lenta.
“Por enquanto está no início das descidas dos rios, a gente vai ter chuvas até julho, então a média é um ou dois centímetros por dia. O auge mesmo, quando desce cerca de 20 centímetros por dia, acontece entre agosto e setembro”, lembrou.

Nos meses de agosto e setembro, de acordo com Oliveira, dois fatores vão contribuir para o ritmo mais rápido de vazante: o calor e a escassez das chuvas. Apenas no mês de outubro é que, conforme o superintendente, as chuvas devem trazer águas novas ao Rio Negro.

Mesmo que lentamente, moradores do bairro Glória, zona centro-sul de Manaus, afirmaram já perceber a vazante e alguns estão retornando as suas casas, antes abandonadas devido à cheia. Conforme o motorista Hebert Ribeiro, 49, a marca na coluna dos fundos da casa onde mora é de aproximadamente 30 centímetros de descida. “Não encheu tanto, como em 2012, por exemplo, mas tem alguns vizinhos que a água bateu no assoalho daí tiveram que se mudar, mas tem uns que estão voltando aos poucos, agora que começou a baixar”, relatou.

Na avaliação do morador, a cheia deste ano foi mais branda do que era esperado para a época. “Quando chegar o verão, seca tudo. Minha mãe atravessa tudo a pé, os barcos e as balsas vão embora também daqui. Mas eu achei que já secou bastante”, disse.

No local, moradores ainda conseguem pescar e botos são avistados nessa época, segundo Ribeiro.
A Defesa Civil do Estado informou que, baseado no término do decreto municipal e o retorno gradativo da normalidade social, o órgão tirou o município de Canutama, na calha do Purus, da condição de situação de emergência, ocasionada pela enchente. Outros 38 municípios continuam em situação de emergência, conforme apontou a Defesa Civil do Estado.

Canutama, que teve 1.495 famílias afetadas, foi atendida pelo órgão com 45 toneladas de alimentos não perecíveis, além de kits dormitório, água potável, kits medicamentos, hipoclorito de sódio, kits de higiene pessoal e de limpeza.

A bacia do Purus, onde está localizado o município, apresenta atualmente processo regular de vazante, segundo dados do CPRM.

A cidade é a primeira das 39 a deixar a condição emergencial. O decreto, publicado no dia 27 de março, tinha validade de 90 dias.