AM: mortes e falta de controle nas prisões

Novos assassinatos em unidade prisional mostram descontrole do governo do Estado, que ainda não solucionou crise penitenciária. Somente este ano, pelo menos três presídios registraram homicídios

Diogo Rocha / portal@d24am.com

Foto: Eraldo Lopes/ Diário do Amazonas

Manaus – Três meses após o maior massacre do sistema penitenciário do Amazonas, assassinatos de detentos voltaram a ser registrados em um presídio local, mostrando que o governo do Estado segue sem controle sobre a situação.

No último sábado (8), subiu para sete o número de detentos mortos na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), com o assassinato do detento Jonathas Brito Pena. Jonathas foi encontrado morto, na cela 8, da galeria 1, por volta das 17h30. O presidiário apresentava sinais de morte por asfixia, com suspeita de enforcamento, informou a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Jonathas estava preso na UPP, desde outubro de 2016, pelo crime de tráfico de drogas.

Na última sexta-feira, seis detentos foram mortos, na unidade. Os assassinatos são resultado de uma rixa entre os líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), João Pinto Carioca, o ‘João Branco’ e Gelson Lima Carnaúba, segundo o secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Sérgio Fontes.

Entre os mortos, está Janderson Araújo da Silva, o ‘Boca Rica’, da galeria 3, cela 8. De acordo com a SSP-AM, Janderson era o homem da linha de frente do comando do tráfico de ‘João Branco’. Janderson foi morto por 11 colegas de cela, enquanto dormia.

Além de ‘Boca Rica’, também foram assassinados Leonardo Almeida de Souza, o ‘Leleo’, que foi encontrado amarrado e decapitado, na cela 6, galeria 1. ‘Leleo’ foi preso, em 2014, junto com Marcos Henrique Neves de Lima, que também foi executado na galeria 2, cela 6. Também foram mortos na UPP os detentos Tiago de Araújo, da galeria 3, cela 3; Felipe Xavier Oliveira, o ‘Cachorro Louco’, da galeria 3, cela 3; e Felipe Gonçalves Marques, da galeria 3, cela 5.

Felipe Xavier, o ‘Cachorro Louco’, foi preso em fevereiro deste ano, suspeito pela morte de Josanne Maria Almeida da Silva e da companheira dela, Ana Paula da Silva Pereira, durante um assalto, na zona sul de Manaus.

Na sexta-feira, a Seap informou, em nota, que não houve nenhum motim ou rebelião na UPP, apesar do assassinato dos seis detentos. A Secretaria se baseia no fato de que os internos não apresentaram oposição às forças policiais, reivindicações e não causaram danos ao patrimônio público.

Conforme informações de familiares dos detentos, as mortes foram decretadas a mando dos líderes da FDN, Gelson Carnaúba e ‘Zé Roberto da Compensa’. Os assassinatos, segundo os familiares, foram planejados há cerca de uma semana.

De acordo com o secretário Sérgio Fontes, houve um rompimento entre a liderança da organização criminosa.
Mortes atestam crise no sistema penitenciário do Amazonas

As sete mortes dos detentos da UPP ocorrem há três meses do maior massacre da história, de um presídio do Amazonas. Em 1º de janeiro deste ano, 56 detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) foram decapitados na unidade. As mortes resultaram em uma crise no sistema penitenciário do Estado, com uma fuga em massa de 225 detentos, que ainda não foi controlada.

Um dia após o massacre no Compaj, praticado por integrantes da FDN contra membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), a Seap registrou a morte por decapitação de quatro presidiários, na UPP. As mortes ocorreram por volta de 17h, após a transferência de presos do PCC para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa.

A transferência ocorreu como medida para isolar membros do PCC dos membros da FDN. Porém, no dia 8 de janeiro, em mais uma rebelião registrada na Raimundo Vidal, quatro detentos foram decapitados.

Na última sexta-feira, o secretário de Administração Penitenciária, tenente-coronel Cleitman Rabelo, afirmou que a situação nos presídios do Amazonas ainda é tensa. Segundo o secretário, as unidades prisionais do Estado recebem monitoramento permanente contra novas rebeliões e fugas. A declaração foi dada durante participação em uma audiência pública, sobre o sistema prisional, na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Os novos assassinatos, ocorridos na UPP, mostram que a situação não foi controlada pelo governo do Estado.

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