‘Não podemos ficar isolada em si mesmo’

Foto: Raquel Miranda

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Segundo entrevistado da série com os candidatos à reitoria da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sylvio Puga é pós-doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (2005). Atuou como professor-adjunto da Ufam e é pesquisador e orientador em dois Programas de Pós-Graduação de mestrado: Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (Prodere) e Programa de Pós-Graduação em Contabilidade e Controladoria (PPG-CC). A primeira disputa à reitoria ocorreu em 2009 e, neste ano, em parceria com o candidato à vice-reitoria, o médico Jacob Cohen, pretende vencer ainda no primeiro turno a disputa no dia 22 de março. A lista tríplice de candidatos é enviada ao Ministério da Educação (MEC) que leva em conta o voto da comunidade acadêmica para escolher o novo gestor da universidade.

DIÁRIO – A chapa do senhor tem um projeto para implementar um plano de saúde público para os servidores da Ufam. Como isso ocorreria?

PUGA – Nós vamos criar um plano de saúde público para a nossa comunidade: professores, técnicos, alunos e incluir ainda os aposentados. Vai funcionar da seguinte forma: se alguma pessoa da comunidade precisar ir ao HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas) ou ao Francisca Mendes, que são hospitais que estão integrados a nós, basta ela apresentar sua carteira profissional e terá um setor para o atendimento. Outras Universidades fazem isso, que é o caso de Viçosa e do Rio Grande do Sul.

A REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) já realizou diversas reportagens mostrando a dificuldade que os pacientes têm para conseguir uma vaga nessas instituições. Os servidores, portanto, furariam a fila do atendimento?

Não afeta o funcionamento porque é o seguinte: há uma cota de atendimento diária das especialidades e não é atendida no dia. Então nós temos como fazer isso com absoluta tranquilidade e respeitando as regras do SUS (Sistema Único de Saúde). A ideia é que as pessoas vão ter o encaminhamento necessário. Ninguém vai furar fila, ninguém vai passar na frente de ninguém. Há servidores que trabalham no HUGV e pagam plano de saúde, quer dizer, não conseguem nem ser atendidos dentro do hospital. Isso não é privilégio, é uma política de assistência à saúde interna, para a nossa comunidade.

O senhor afirmou que hoje a universidade conta com cerca de 40% de evasão estudantil e retenção, também conhecida como o aluno desperiodizado. Como o senhor pretende reduzir essas taxas que influenciam até mesmo as avaliações do MEC?

Nós temos uma proposta de trazer os professores aposentados que gostariam de atuar em tutorias para acompanhar as dificuldades dos alunos. Uma possibilidade que pode ser conversada é a abertura de mais vagas nos períodos noturnos para que os alunos que trabalham não abandonem os cursos. Mas isso tem que ser conversado com os cursos e com o MEC.

Essa não é a primeira vez que o senhor se candidata. O que motivou uma nova candidatura?

Nosso histórico começou em 2009, quando ganhamos 20% dos votos. E a cada eleição fortalecemos. Este ano, recebemos esse convite de professores e alunos para fazer parte desse processo.

O senhor tem dito nessa campanha em buscar recursos de outras instituições, até mesmo internacionais para a Ufam. Como aplicará esses recursos caso consiga vencer o certame?

Temos que trabalhar com recurso além do orçamentário, apresentar projetos para todas as esferas para a captação de recursos, na esfera municipal, e federal, inclusive para o exterior.  Porque existem fundações no exterior que querem financiar principalmente na Amazônia. Nós faremos uma atuação muito decisiva para captar recursos.

Qual o posicionamento sobre a discussão da privatização do Ensino superior no País?

Nós nos colocamos contra a privatização, somos favoráveis à universidade pública no Brasil. Agora precisamos discutir parcerias, não podemos ficar isolada em si mesmo. Com o setor produtivo, temos o Polo Industrial de Manaus (PIM), então nós vamos, sim, discutir parcerias, agora privatizar a universidade não.

O senhor acredita que a privatização iria dificultar o acesso à universidade?

Vamos pensar que isso, se acontecesse, infelizmente, a maioria das pessoas não poderia pagar.  O que é a privatização, no sentido mais largo: é gerar um boleto ou um carnê para esse estudante pagar. Se isso acontecesse na Ufam, a ampla maioria, sobretudo no interior, não conseguiria pagar.

Como o senhor pretende ampliar as bolsas aos alunos da Ufam, tendo em vista que os cortes afetaram também esse segmento da universidade?

Pois bem, na medida que nós trouxermos esses recursos orçamentários, de fora, isso vai ajudar várias áreas da faculdade. E podemos fazer uma locação dos nossos recursos internos da faculdade para fazer esse fomento à assistência estudantil. Precisamos reduzir nossas despesas para não somente ampliar e manter essas bolsas, como estudar a elevação dos valores dessas bolsas.