‘Precisamos aproximar do setor privado no AM’

Foto: Raquel Miranda

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Aúltima entrevista com candidatos à reitoria da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) é com o atual vice-reitor, desde 2009, Hedinaldo Narciso Lima. Com doutorado e toda formação na área da Agronomia, Hedinaldo expõe como uma das principais propostas ampliar o número de professores com doutorado na Universidade e expandir programas acadêmicos, como o PET e o Pibic.  Hedinaldo contou que atua na instituição desde a época de estudante. Já foi técnico administrativo e professor, além de ocupar os cargos de diretor coordenadoria de cursos na Ufam.

A eleição está marcada para o próximo dia 22. O último debate entre os candidatos ocorre no dia 20 de março, às 17h, no auditório Eulálio Chaves, localizado no setor Sul do Campus Universitário Senador Arthur Virgílio Filho, em Manaus.

DIÁRIO – O senhor disse que pretende ampliar o número de professores com mestrado e doutorado até para melhorar os índices de avaliação no Ministério da Educação (MEC). Como isso pode ser feito?

HEDINALDO – Queremos dar destaque em ampliar o número de professores com doutorado na instituição. A gente deverá trabalhar com uma política forte neste sentido. Isso pode ser feito favorecendo a liberação para que o professor possa fazer sua qualificação de mestrado e doutorado. Pode ser feito criando novos programas interinstitucionais de mestrado e doutorado com outras instituições do País, melhorando as normas internas de liberação e apoiando esses professores.

Não existe a pretensão de aumentar o número de vagas nos próximos anos, devido à redução de custos, mas o senhor tocou no tema de ampliação de serviços na Ufam. Quem será o maior beneficiário e quais são esses serviços que podem aumentar?

Não há previsão de docentes nos próximos anos e nós só poderemos aumentar as vagas na graduação com a criação de mais vagas docentes. E, como você disse, o orçamento da instituição já é menor neste ano do que foi no ano passado. O que a gente pode ampliar na universidade, hoje, diz respeito ao serviços, à análise, à receber outras instituições, outras pessoas, de ampliar a pós-graduação, não a graduação porque tivemos uma ampliação muito grande nos últimos anos. Somente nos últimos sete anos, nós criamos 28 cursos de graduação, então nós não temos perspectiva de ampliar cursos de graduação.

Na sua gestão como vice-reitor o Processo Seletivo Contínuo (PSC) para o interior deixou de ser uma avaliação aplicada em todos os municípios, para ser aplicado somente nas cidades-polos da Ufam. Qual foi o motivo para que houvesse essa mudança? Isso prejudica os alunos que não possuem recursos para se deslocar e fazer a prova?

Antes de extinguir o PSC nós criamos o PSI (Processo de Seleção para o Interior), certo? Isso foi feito para garantir que as vagas contempladas pela Universidade nas unidades acadêmicas do interior do Estado sejam preenchidas prioritariamente por estudantes do interior do Estado. Isso foi feito por uma demanda dos próprios institutos do interior. Então as vagas do interior passam a ser ofertadas do PSI e as vagas da capital do PSC. O estudante da capital para se submeter as vagas do interior vai ter que se submeter ao PSI. Para levar o PSI para os outros municípios  vamos precisar fechar parcerias com os município, com as prefeituras.

Com os recursos reduzidos, qual a proposta para continuar mantendo os programas e a qualidade do ensino na Ufam?

Nós temos que ter um plano que seja no mínimo audacioso e com prudência. Mas se nós formos nos limitar a manter apenas o que temos… nós temos que ter como meta do planejamento o crescimento. Então eu tenho consciência, como gestor da instituição, das dificuldades financeiras que a instituição enfrenta. Precisamos buscar nos diversos espaços possíveis das agências de fomento. É importante para os nossos estudantes a manutenção das bolsas para a graduação, novas bolsas para a pós-graduação.

Até o final do ano passado, cinco obras da Ufam estavam paralisadas. Qual o motivo para que isso tenha acontecido?

Tínhamos o prédio do curso de Comunicação Social, a Casa do Estudante, o prédio do Instituto de Computação e um prédio do Instituto de Ciências Exatas e de Tecnologia, em Itacoatiara. E também o estacionamento do ICHL (Instituto de Ciências Humanas e Letras). Dessas obras, já foram retomadas duas e a outra está em processo de licitação, apenas esperar o processo de licitação. As obras estavam paralisadas não por falta de recursos da instituição, elas foram paralisadas porque as empresas que estavam executando as obras estavam em processo de falência.

Como o senhor avalia esses últimos sete anos como vice-reitor?

Foi um período de muito trabalho. Não me limitei a ser um vice-reitor que apenas substituísse a reitora na eventualidade ou em algumas ações por elas designadas. Procurei de fato desenvolver um trabalho que contribuísse significativamente para a gestão da instituição. Dialogando com diretores e estudantes foi um trabalho nos ajudou muito no processo de aprendizado. Nós temos muitos desafios pela frente, temos que começar a discutir a flexibilização do ensino dentro da universidade. Precisamos nos aproximar mais das indústrias, do setor privado, no Amazonas. Precisamos também melhorar as condições internas dos servidores da instituição, criando espaços de convivência. Ampliar espaços da prática de esportes, demanda muito grande pela parte dos servidores e dos estudantes.

Qual o seu posicionamento em relação à privatização do Ensino Superior?

Nós somos completamente favoráveis do ensino público na Universidade Federal. Completamente público, financiado pelo governo federal. É uma posição que está colocada no nosso plano de trabalho. As vagas do Ensino Superior da rede pública representam 15% somente, todas as demais vagas são ofertadas por instituições privadas. A escola pública, hoje, não consegue atender a toda a demanda do ensino superior no País. Nas universidades públicas nós vamos esperar que o governo financie esse ensino.

Como o senhor pretende evitar que as greves dos professores e técnicos prejudiquem o ano letivo?

De modo geral, os eventos de greve que ocorrem na universidade são eventos nacionais. O diálogo não é feito pela instituição é feito, inclusive, em nível nacional. O que a gente acha que muitas vezes é que houve uma banalização do mecanismo de luta. Um mecanismo importante, mas foi feito muitas vezes e, hoje, é uma coisa que já não tem o apoio da sociedade como tinha antigamente. Mas vamos manter os diálogos com os movimentos e sindicatos. Trabalhar na Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) para evitar que essas greves ocorram.