Procurados por desviar milhões da Unimed ostentavam com novos apartamentos e carros de luxo

Segundo a polícia, nos últimos 18 meses, ex-funcionários envolvidos no esquema construíram mansões, compraram carros de luxo à vista e apartamentos na Ponta Negra

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Com salários líquidos médios de R$ 4,6 mil nos últimos 18 meses, o patrimônio dos ex-funcionários procurados por desviar R$ 6 milhões da Unimed aumentou rapidamente, de acordo com o delegado do 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Rafael Guevara. Apartamentos na Ponta Negra e carros de luxo fazem parte das aquisições feitas pelos suspeitos no período.

Segundo informações do delegado, o supervisor Flávio Lavareda Leão, 33, que morava no bairro no Dom Pedro, zona oeste, adquiriu um apartamento no condomínio Live, na Ponta Negra, e um veículo SUV, no valor aproximado de R$ 109 mil à vista. O salário do funcionário, conforme apontou a investigação, era de aproximadamente R$ 7 mil, como gerente financeiro da Unimed.

Apartamento em áreas nobres da cidade foram adquiridos pelos suspeitos (Foto: Eraldo Lopes)

Para o delegado, Marineide do Vale Maia, 33, ostentou menos, mas fez da casa, no bairro da Cidade Nova, zona norte, segundo o delegado, uma mansão, com piscina e edícula, além de comprar um carro modelo camionete modelo S10. “Todos eles tiveram um crescimento muito expressivo dos bens nos últimos meses. Compraram carros de luxo, apartamentos em bairro nobres com os valores desviados”, explicou Guevara.

Diego, que ganhava o menor salário entre os três indiciados, R$ 3 mil e morava no bairro do São José, na zona leste de Manaus, também trocou de veículo e comprou um apartamento no bairro de Flores. A Justiça bloqueou os bens e veículos de todos os suspeitos.

Investigados pelo MPF

Flávio, Diego e Marineide já são alvos de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF). O órgão instaurou o Inquérito Civil Público (ICP) no dia 24 de agosto deste ano, baseado em uma denúncia anônima sobre o desvio de dinheiro.

Outra base para o inquérito, que corre em segredo de justiça, é a indicação do envolvimento do superintendente financeiro da Unimed no esquema de desvios investigados.

“São narrados fatos graves contra a Diretoria da Unimed Manaus, tais como: participação do superintendente financeiro e membros da diretoria em vantagens ilícitas; contratação de serviços desconsiderando concorrência com melhor custo x benefício; fraude na criação da sociedade anônima”, diz o documento de abertura de inquérito.

Veja o Inquérito Civil Público instaurado pelo MPF

Leia na íntegra a carta que motivou a abertura do inquérito pelo MPF

Na publicação da instauração do inquérito consta a intimação dos mesmos suspeitos investigados pelo 12º DIP, além de Thiago da Silva Batista, ex-funcionário da empresa. A direção da Unimed Manaus informou que, há seis meses, após investigação administrativa criteriosa, confirmou o desvio de recursos financeiros, demitiu os funcionários envolvidos e acionou imediatamente os órgãos competentes, dentre eles a Polícia Civil.

A Unimed afirmou em nota que manteve o silêncio durante o período, para não atrapalhar as investigações, que ocorreram em segredo de Justiça. “A Unimed aguarda o resultado das investigações, sempre confiando na autoridade policial e na Justiça, contribuindo com todas as informações necessárias para a resolução do caso”, disse em comunicado oficial a empresa.

Entenda o caso

Seis pessoas são procuradas pela polícia, suspeitas de envolvimento em um esquema que desviou cerca de R$ 6 milhões da Unimed Manaus, em um ano e meio de atuação criminosa. Três ex-funcionários e seus companheiros, incluindo o gerente financeiro da cooperativa médica, Flávio Lavareda Leão, 33 estão foragidos. A Justiça bloqueou os bens e veículos de todos os suspeitos.

Uma quarta funcionária foi presa, Silvia Borges Nogueira, 35, no final do mês passado pelo 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Silvia foi demitida pela empresa acusada de desviar cerca de R$ 30 mil das mensalidades dos clientes pagas em dinheiro na unidade da Unimed na Avenida Constantino Nery. Segundo o delegado do 12º DIP, Rafael Guevara, Silvia foi quem indicou o esquema milionário do trio de funcionários da alta cúpula da Unimed.

Além de Flávio, a polícia está a procura do companheiro de Flávio, Alexandre Holanda do Nascimento, 37, a ex-supervisora financeira Marineide do Vale Maia, 33 e seu marido Renildo da Cruz Teixeira, 37 e o analista financeiro Diego da Silva Martins, 31 com sua companheira, Rita Cássia Bentes Martins, 37.

A investigação da polícia em cima do caso durou 90 dias e, há cerca de quatro meses os funcionários envolvidos no esquema foram demitidos pela cooperativa médica.

Procurados por envolvimento no esquema (Foto: Raquel Miranda)