Professores dividem opiniões sobre reajuste de 24,91% aprovado pela ALE

Após a votação, nesta sexta-feira, alguns professores protestaram contra o Sinteam, questionando a representatividade do Sindicato. Profissionais chegaram a discutir entre si, na galeria da ALE

Stephane Simões / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Após a conclusão da votação do reajuste dos servidores da rede estadual de educação, professores se manifestaram, na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), contra a decisão de reajuste salarial de 24,91%, concedido pelo governo, nesta sexta-feira (6). Alguns professores, que questionam a representatividade do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), gritaram, na galeria da assembleia, “Fora Sinteam”.

Na galeria, após o término da votação, alguns professores chegaram a discutir entre si, por conta de opiniões divididas em torno da decisão. A maioria dos profissionais se posicionou contra o reajuste, mas houve quem se sentisse satisfeito com o que foi conquistado pela categoria.

Proposta do governo foi aprovada na tarde desta sexta-feira (Foto: Stephane Simões/Divulgação)

Segundo a professora de Língua Espanhola, Ariane Coelho, o movimento grevista começou com os professores e a Sindicato dos Pedagogos e Professores de Manaus (Asprom/Sindical) entrou organizando a categoria. “O Sinteam caiu na greve de paraquedas, vindo como mochila nas costas dos professores pra ganhar méritos. Sempre, em toda luta da categoria, o Sinteam deu uma pernada e se vendeu para o governo”, denunciou.

A professora de Biologia, Aline Cássia, diz sentir-se injustiçada porque a categoria merecia o reajuste de 35%. “Isso que foi votado é injusto. Nós merecemos ganhar muito mais, nosso salário está defasado. Eu não apoio essa decisão. Estou decepcionada, pois merecemos os 35%”, disse.

Para o professor de História, Kennedy Pinheiro, o reajuste aprovado, apesar de não ter alcançado o que a categoria pedia, é uma vitória. “Eu saio daqui com o sentimento de vitória. A nossa luta, por ganhos reais, continua. Há outras pautas, como melhorias de condições de trabalho e nós vamos lutar por ela”, afirmou.

“Foi todo um jogo que aconteceu, nós estamos extremamente triste por causa dessa situação”, declarou a presidente da Asprom Sindical, Helma Sampaio, durante a votação da proposta de reajuste salarial. “Quando iniciamos a greve, nós tínhamos consciência e falamos com à nossa base que o governador Amazonino Mendes tinha um jogo e uma negociação farsante para que empurrasse a votação, até o último momento, quando ele não pudesse fazer o reajuste, por estar impedido pela lei eleitoral”.

Assembleia geral da categoria foi realizada na Arena Amadeu Teixeira (Foto: Sandro Pereira)

A greve dos professores, deflagrada no dia 22 de março, pedia o reajuste de 35%. Durante o período, o governo chegou a apresentar outras propostas, abaixo do que era reinvincado, que foram rejeitadas pela categoria. “Nós buscamos os 35%, mas chegamos no momento em que queremos que isso seja votado hoje. Nós fomos pego numa situação muito complicada”, afirmou Helma.

Helma ressaltou que a categoria não tem mais a chance de apresentar emendas, pois a votação será adiada e os professores ficarão ainda mais prejudicados. “Nós não podemos apresentar emendas, pois a bancada do governo vai se retirar e levar a votação para semana que vem. Nós continuamos prejudicados, pois o governo só dará 4,5%, que é a reposição da inflação se 2018”, disse.

A presidente da Asprom Sindical disse que uma assembleia geral, que ainda não tem data definida, será realizada para decidir se a greve vai continuar. “Nós vamos continuar, ano que vem, buscando a valorização do profissional de educação”, acrescentou.