Professores recusam proposta do governo e mantêm greve geral da categoria

Durante votação em assembleia geral, na Praça do Congresso, os profissionais decidiram recusar a proposta de reajuste de 14,57% escalonado até dezembro, valor menor que a metade reivindicada

Sofia Lorrane / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Os professores da rede estadual de ensino recusaram a proposta de reajuste do governo, de 4,57% referente a data base de 2017 e 10% escalonado até dezembro deste ano. A votação aconteceu em uma assembleia geral, na tarde desta segunda-feira (2), na Praça do Congresso, no Centro de Manaus.

A greve geral dos professores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) foi decretada no dia 22 de março. Eles pedem 35% de reajuste, sendo 30% de reposição da inflação referente ao período de abril de 2014 a março de 2018, e 5% de ganho real.

Mais uma assembleia geral da categoria foi realizada nesta segunda-feira, em Manaus (Foto: Sofia Lorrane/Divulgação)

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Marcus Libório, o objetivo da assembleia é votar contra ou a favor da proposta do governo. “A categoria votou e se manifestou contra o que foi proposto. Continuamos com a nossa proposta de 35%, vamos comunicar o governo e marcar uma nova negociação, iremos solicitar uma audiência o mais breve possível para discutir o que desejamos. A greve está mantida”, disse.

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A professora Rosilene Silva da Conceição, 54, lotada no município de Iranduba, contou que os professores estão desanimados e querem a valorização da categoria. “Nós estamos aqui para reforçar a ideia de não aceitar essa proposta, porque estamos pedindo reajuste salarial de quatro anos e ele está nos dando esmola. Todas as profissões passam pelas mãos dos professores, precisamos de mais respeito, mais consideração, queremos nossos direitos”, disse.

O professor Aníbal Torres de Arouca, 48, informou que a classe não aceitou a proposta feita pelo governo porque está fora da realidade. “Nós estamos aqui para marcar posição sobre as reivindicação que estamos fazendo, para que o governador se sensibilize. Há uma defasagem salarial e é preciso reajustar dentro de parâmetros realistas e concretos, de acordo com a nossa expectativa. Nós só queremos a reposição salarial que nesses quatro anos não tivemos”, disse.

De acordo com o professor David Amadeu Barbosa dos Santos, 48, além das solicitações de reajusre, o governo deveria olhar os problemas enfrentados diariamente pelos professores nas escolas. “Na realidade, a proposta que ele nos fez foi uma proposta que não tem como a gente aceitar, pelas perdas que tivemos nos últimos quatro anos. O governo tem dado pouca importância para a educação, a infraestrutra das escolas estão precárias, estão abandonadas e as salas estão super lotadas”, comentou.

Governo prorroga reajuste até ser impedido pela Justiça eleitoral, diz Asprom Sindical

Na manhã desta segunda-feira (2), professores realizaram mais um protesto, onde chegaram a interditar a Avenida Brasil, em frente à sede do governo, bairro Compensa, zona oeste da cidade. Na ocasião, o coordenador financeiro da Associação Movimento de Luta dos Professores de Manaus (Asprom Sindical), Lambert Melo, acusou o governador Amazonino Mendes (PDT) de estar adiando o reajuste exigido até o próximo sábado (7), quando termina o prazo para que governo promova ações que configurem campanha eleitoral.