Risco na água sem colete salva-vidas

De acordo com a Marinha, o não uso de coletes é uma das principais irregularidades encontradas durante fiscalizações. Capitão diz que passageiros precisam fircar atentos

Girlene Medeiros/redacao@diarioam.com.br

Fotos: Sandro Pereira

Manaus – Mesmo com 13 mortes registradas, neste ano, em acidentes com embarcações na Amazônia Ocidental (Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia), muitos passageiros ainda se arriscam a viajar sem o colete salva-vidas, principal item de segurança nas embarcações. De acordo com a Marinha do Brasil, o não uso de coletes é uma das principais irregularidades encontradas durante fiscalizações a embarcações em Manaus.

Em embarcações de médio porte, o excesso de passageiros é a irregularidade mais encontrada durante as fiscalizações fluviais realizadas em diferentes portos da capital. O Comando do 9º Distrito Naval, em Manaus, informou que são entre mil a 1,2 mil notificações, em média, por ano, a embarcações.

Para a estudante universitária Dianita Pinheiro, 24, o uso do colete é importante, mas ela afirmou que, muitas vezes, quando faz travessia da Marina do Davi, na zona oeste, para praias como do Tupé e da Lua, não usa o equipamento. “Vez por outra eu uso”, admitiu. Da mesma forma, a auxiliar administrativo Leonilla Rosa Barbosa, 48, afirma que, também, não usa o colete em viagens rápidas. “Quase ninguém usa e eu sei nadar”, justificou.

Segundo o Capitão dos Portos da Amazônia Ocidental, Capitão de Mar e Guerra Welliton Lopes dos Santos, é necessário que o passageiro esteja atento ao direito que tem de transitar em uma embarcação com itens que promovam a segurança dos passageiros. “O colete vai dar uma sobrevida e o passageiro tem que ter essa percepção”, afirmou. Ainda de acordo com Santos, em viagens de horas ou dias de duração o passageiro pode, pelo menos, deixar o colete em local de fácil acesso.

De acordo com o Capitão dos Portos, as fiscalizações são necessárias para impedir que as irregularidades persistam e evitar mortes em acidentes fluviais. Um levantamento da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental aponta o registro de 19 mortes em acidentes, no ano passado na área de jurisdição. Este ano, até o último dia 18, a quantidade de mortes em acidentes fluviais era de 13 na região de responsabilidade da capitania. Outras três mortes (duas em 2016 e uma em 2017), por acidentes fluviais, foram registradas na área de Tabatinga (a 1.108 quilômetros a oeste de Manaus) da jurisdição da Capitania Fluvial de Tabatinga.

De acordo com o Capitão dos Portos da Amazônia Ocidental, são fiscalizadas, diariamente, entre 40 e 50 embarcações em Manaus. Além do não uso de colete e excesso de passageiros, o Capitão dos Portos citou que também são flagradas irregularidades, como embarcação sem registro, ausência de equipamento para iluminação noturna e condutores de embarcação sem carteira de habilitação. Nesses casos, segundo Santos, os proprietários dos barcos podem ser multados, em até R$ 4 mil, ter as carteiras de habilitação retidas ou até suspensas, além das embarcações serem apreendidas.