Novo Remédio aponta eficácia no combate à malária

Segundo os pesquisadores, em três anos o novo medicamento deve estar disponível no mercado e reduzirá o combate à doença de 14 dias para um

Diogo Rocha

Em Manaus, conferência reúne mais de 400 especialistas de 33 países (Foto: Divulgação)

Manaus – Em no máximo três anos, um novo medicamento de combate à malária, que reduzirá o tratamento da doença do tipo vivax de 14 dias para apenas um dia, deve estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Com aplicação em dose única, a tafenoquina passou pela fase final de testes em humanos e os resultados sobre a eficácia do medicamento foram apresentados, ontem, em Manaus, na 6ª Conferência Internacional sobre Pesquisa de Plasmodium Vivax, no Tropical Hotel, zona centro-oeste de Manaus.

A malária transmitida pelo parasita Plasmodium Vivax é responsável por 90% dos casos de infecção da doença do País, conforme o pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Wuelton Monteiro. Em parceria com a Fiocruz de Porto Velho (RO), a FMT, de Manaus, trabalhou com centros de estudos de mais quatro países – Indonésia, Tanzânia, Peru e Tailândia – em um projeto que durou dois anos, entre 2014 e 2016, para desenvolver o novo medicamento.

Em Manaus, 100 pacientes foram tratados com tafenoquina durante a fase de testes em humanos. Mas no total, mais de 300 pessoas infectadas com a malária vivax ao redor do mundo receberam doses do comprimido, nesta terceira, e última etapa da pesquisa antes do registro do produto. Devido a burocracia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conforme Monteiro, deve lançar o medicamento na rede pública de saúde em dois ou três anos.

“O novo tratamento foi muito promissor, mesmo sendo uma droga tomada em um único dia demonstrou bastante eficácia e segurança, então, o laboratório pode solicitar o registro aos órgãos competentes. De fato, é uma promessa”, afirmou o pesquisador da FMT.

Tratamento

Atualmente, dois medicamentos antimaláricos combinados (cloroquina e primaquina) são usados para o tratamento da malária vivax, mas o paciente costuma tomar a medicação entre sete e 14 dias. O combate à doença à base do novo remédio, a tafenoquina, irá substituir a terapia com a primaquina. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu como meta a ser alcançada a eliminação da malária, em no mínimo, 35 países até o ano de 2030.

“A primaquina e a tafenoquina são as duas únicas drogas conhecidas para uso em humanos que fazem a chamada cura radical, que é a eliminação completa dos parasitas no organismo. Eliminam, inclusive, as formas latentes que ficam no fígado e são responsáveis pelas recaídas da malária vivax”, disse Wuelton Monteiro.

No País

Pela primeira vez no País, a 6ª Conferência Internacional sobre Pesquisa de Plasmodium Vivax, que começou no último domingo e vai até esta quarta-feira (14), no centro de Convenções do Tropical Hotel, na Ponta Negra, debaterá outros temas. Mais de 400 pesquisadores de 33 países debaterão o acesso ao tratamento da malária, a epidemiologia e vigilância.

“ Os pesquisadores mais renomados na área de malária estão apresentando novos tipos de tratamentos, as questões genéticas e interações do parasita com o hospedeiro”, disse Monteiro.

Endemia

A Amazônia é uma região endêmica para a malária e registra 99% dos casos do País, com incidência absurdamente alta no Amazonas. Em 2016, foram mais de oito mil casos e, em média, a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) diagnostica 20% dos casos de malária em Manaus atendendo 2,5 mil pacientes, por ano, ainda segundo Monteiro.

A malária é causada pelos parasitas transmitidos por mosquitos fêmeas, do gênero Anopheles. Não existe vacina contra a malária e a doença pode ser contraída mais de uma vez.