Arthur descarta conceder aumento da tarifa de ônibus com pressão da greve

O prefeito Arthur Neto afirmou em coletiva, na manhã deste sábado (2) que, em nenhuma hipótese, vai conceder reajuste da tarifa de transporte coletivo mesmo com a pressão da greve

Da Redação

Manaus – “Não concederei, em nenhuma hipótese, em nenhum preço, aumento de tarifa”. A declaração é do prefeito de Manaus, Arthur Neto, durante coletiva na manhã deste sábado (2), no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) no bairro Aleixo, zona centro-sul. Mesmo com o impasse entre rodoviários e empresários, o prefeito foi enfático ao afirmar que não haverá aumento da passagem de ônibus.

Arthur se reuniu com o coordenador do CICC, coronel Fábio Pacheco, para implementar soluções para o cumprimento das medidas judiciais que ponham fim à paralisação do transporte público que ocorre na cidade. Durante a coletiva, o prefeito falou sobre a volta da frota de ônibus às ruas nesta manhã e espera que não haja mais paralisação por parte dos rodoviários.

Arthur se reuniu com o coordenador do CICC, coronel Fábio Pacheco, para implementar soluções para o cumprimento das medidas judiciais que ponham fim à paralisação do transporte público que ocorre na cidade (Foto: Jimmy Geber)

Segundo o prefeito, a expectativa é que os rodoviários e empresários entrem em acordo para o fim da greve. Arthur ressaltou ainda que os ônibus já deixaram as garagens das empresas e que o transporte público já deve ser normalizado neste sábado. “Greve não dura o tempo inteiro, o grevista diz o que ele precisa, mas ele não pode ficar a vida inteira parado, ela dura dias, ela dura horas, mas esta está durando demais”, destacou Arthur.

Durante a coletiva, Arthur disse ainda que a população não aguenta mais paralisações. “A notícia boa é que as frotas das empresas começaram a funcionar agora e daqui a pouco estarão à pleno vapor. Nós esperamos que essa paz seja duradoura, que venha um acordo, nesse acordo as cláusulas podem ser diversas em comum acordo entre rodoviários e empresários, só tem uma que não entrará nesse acordo, não haverá nenhum reajuste de tarifa. Esse é um compromisso comigo mesmo e com a cidade”, ressaltou o prefeito.

O prefeito aproveitou para fazer um apelo a empresários e trabalhadores do transporte público de Manaus. “Vamos continuar pagando um preço diário de dias de paralisação do comércio, da indústria, da perturbação a ordem da cidade. Faço um apelo às partes envolvidas, que sentem, reúnam, que cheguem às conclusões que a cidade por elas anseiam. A cidade não aguenta mais paralisações e sabendo ambas as partes que eu, em hipótese nenhuma, concederei aumento tarifário”, disse.

Ônibus começam a circular

Os ônibus das empresas do transporte público que atendem a população manauara começaram a sair das garagens e devem operar com frota de 60% referente aos finais de semana, neste sábado (2). A informação foi confirmada pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Amazonas (Sinetram). No início da manhã, 100% da frota estava paralisada nas garagens.

A Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que os ônibus já estão deixando as garagens, mas ainda não há como quantificar o número de coletivos nas ruas. O órgão informou ainda que a frota está sendo normalizada para o dia de sábado, com frota reduzida de 60%, equivalente a 880 veículos.

A previsão é que aos poucos o serviço seja regularizado, segundo a SMTU. A Eucatur, uma das maiores empresas de transporte coletivo da cidade, que atende grande parte da população manauara, foi a primeira a liberar os ônibus das garagens. Só da empresa, são 480 veículos que voltaram a circular em Manaus.

Motoristas afirmaram à reportagem da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) que os ônibus funcionarão normalmente durante o fim de semana e que a ordem partiu do próprio presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM), Givancir Oliveira, para que a categoria não saia prejudicada.

Sinetram questiona rodoviários

O Sindicato das Empresas do Transporte Público do Amazonas (Sinetram) afirma que “há algo por trás” das ações dos rodoviários. De acordo com o diretor do Sinetram, Algacir Gurgacz, em reunião realizada com o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM) sob a mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT), todas as pautas reivindicadas pela categoria foram aceitas e que seriam levados para assembleia com os trabalhadores para a aprovação.

“Aceitamos todas as reivindicações deles (sindicato) e nós tínhamos a certeza de que tudo seria aprovado. Hoje acordamos, novamente, com 100% da frota paralisada. E da mesma forma, tem certas forças ocultas que acontecem no meio dos transportes, às 9h a frota foi toda liberada”, diz o diretor. Segundo ele, os próprios sindicalistas afirmaram que os ônibus vão operar normalmente no fim de semana e que na segunda-feira (4), empresários e rodoviários devem se reunir novamente para chegar a um acordo definitivo.

Multa aos rodoviários pode chegar a R$ 20 milhões

O Sinetram participou de uma tentativa de acordo com o Sindicato dos Rodoviários, mediada pelo MPT, na tarde desta sexta-feira (1). A reunião, que durou mais de cinco horas, terminou sem acordo. Durante a reunião, os sindicalistas chegaram a aceitar os reajustes de 3,5% para o Dissídio Coletivo 2017/2018 e de 1,69% para 2018/2019, que poderiam ser pagos pelas empresas a partir do mês de agosto deste ano, aos oito mil colaboradores do sistema.

Após chegarem nos três últimos pontos da pauta, que eram a compensação de horas extras e feriados somente por acordo coletivo, o abono de faltas dos grevistas e a desistência do Sinetram da multa imposta pelo TRT para aos rodoviários, não houve acordo. O abono das faltas da greve e a retirada das multas aos sindicalistas não podem ser feitos porque a matéria está judicializada, segundo o Sinetram. Outra proposta dos rodoviários que também não foi aceita, foi a interferência dos sindicalistas na gestão das empresas.

“Essa multa pode chegar a R$ 20 milhões, é um absurdo o que está acontecendo em Manaus. Nós pedimos às autoridades que se sensibilizem e a polícia que aja, pois agora a questão virou caso de polícia. As pessoas estão nas ruas, nos terminais, elas foram levadas dos bairros para o Centro e agora não tem como voltar. É triste”, destacou o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges. O Sinetram já acionou o TRT, informando sobre o descumprimento da liminar, que determinava o fim da greve.

A multa é de R$ 300 mil por hora de paralisação.Cerca de 700 mil usuários foram prejudicados com a paralisação nesta sexta-feira (1º), que já chegou a quase 100 horas de greve irregular. A paralisação surpresa ocorreu por volta de 9h quando os ônibus pararam no Terminal 1, no Centro. Após mais de três horas e meia, o Sindicato dos Rodoviários ordenou que os ônibus fossem recolhidos às garagens.