Caso Sotero: Justiça deve decidir sobre reconstituição de morte em casa de show

Juiz deve decidir se concede o pedido de reconstituição dos fatos e se defere o pedido de habeas corpus de Sotero. Sobre o período na cadeia, Sotero resumiu dizendo que está sendo 'difícil'

Gisele Rodrigues

Manaus – O destino do delegado Gustavo Sotero, acusado de matar a tiros o advogado Wilson de Lima Justo Filho, em novembro de 2017, no Porão do Alemão, deve ser decidido em uma semana, avaliou a defesa do delegado ao final da audiência de instrução que decide se o caso vai à júri popular, nesta quarta-feira (18). O juiz Celso de Paula ainda deve decidir se concede o pedido de reconstituição dos fatos e se defere o pedido de habeas corpus de Sotero.

Delegado Gustavo Sotero depõe no terceiro dia da audiência de instrução (Foto: Sandro Pereira)

Na audiência, o Ministério Público do Estado (MP-AM) confrontou Gustavo com trechos do vídeo do circuito interno da casa de show. Após o delegado responder as perguntas do juízo e promotoria, a defesa do delegado toma como certa a ida de Sotero a júri popular. Segundo o advogado de Sotero, Cláudio Dalledone, a defesa tem um prazo de cinco dias para reiterar o pedido de reconstituição dos fatos.

Pela primeira vez no decorrer do processo, ele falou com toda a imprensa. Questionado sobre o que aconteceu no dia da morte do advogado, Sotero voltou a defender a tese de legítima defesa. “Eu levei uma agressão violenta, levei um soco violento e reagi a essa agressão em legítima defesa. Não conheço nem o Wilson, nem nenhuma vítima”, disse. Sobre o período na cadeia, ele resumiu dizendo que está sendo ‘difícil’.

Segundo o juiz Celso de Paula, com a conclusão dos interrogatórios, a próxima fase é destinada à apresentação das argumentações finais das partes envolvidas no processo. “Será aberto um prazo para que a defesa e o Ministério Público apresentem as alegações finais. Depois disso, será feita a análise do conteúdo e, em seguida, será definido se o réu irá a júri popular”, explicou o magistrado, sem confirmar um prazo para publicar a decisão.

Somente o delegado foi ouvido neste terceiro dia de audiência de instrução, no Fórum Henoch Reis, no Aleixo, no centro-sul de Manaus. Quatro testemunhas da defesa não compareceram ao local e os advogados de Sotero realizaram a dispensa dos delegados intimados Alessandro Albino, Joice Santana, Ana Cristina Braga, e da escrivã, Sara Mônica Barbosa.

Promotor rebateu legítima defesa: ‘estado de esquizofrenia’

O promotor de justiça do MP-AM Armando Gurgel, antes do início da audiência já tinha contestado a nova tese dos advogados. A defesa já alegou legítima defesa e agora argumenta ainda que o réu estava em alerta, na época do crime, por conta de um documento sigiloso de segurança pública.

“O Ministério Público entende que é indiscutível que não houve legítima defesa. Nada disso está provado nos autos (sobre o documento de estado de alerta aos policiais). Em primeiro lugar nós não podemos permitir na sociedade, não, um estado de alerta. Penso (…) que isso não é um estado de alerta. Isso é na verdade um estado de esquizofrenia”, disse Gurgel.

No segundo dia de audiências, a defesa de Gustavo Sotero informou que um memorando foi distribuído dias antes do crime, informando aos policiais possíveis represálias por parte de criminosos. O documento, segundo a advogada Carmen Romero, deixou o delegado em alerta. “Devemos levar em consideração que ele é um delegado e está sempre em estado de alerta. Não sabia, naquele momento, se era um criminoso, alguém que ele já tinha ‘flagranteado’”, disse Romero sobre a reação de Sotero ao soco do advogado, assassinado em seguida.