Casos de tuberculose aumentam 15% no Amazonas, em 2017

Da Redação / portal@d24am.com

Foto: Eraldo Lopes

Manaus – Casos de tuberculose aumentaram 15%, neste ano, na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Conforme o órgão, até fevereiro, 86 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Segundo dados do Sistema de Informações Operacionais e Epidemiológicas (Vigweb), em todo ano de 2016 foram 476 casos e 68 mortes. Nesta sexta-feira (24), quando foi comemorado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a FMT anunciou a nova fase de uma pesquisa que pretende indicar novos tratamentos contra a doença.

Uma pesquisa com especialistas do Estado pretende identificar fatores genéticos relacionados a falhas e efeitos colaterais do tratamento da tuberculose, para apontar novas alternativas para o controle da doença.

Segundo o órgão, a pesquisa, que começou com a coleta de amostras em 2016, entra na fase de análise de material. O projeto, denominado de Pesquisa Regional Prospectiva e Observacional em Tuberculose (RePORT-Brasil), reúne especialistas de instituições do Brasil, Índia, África do Sul, Indonésia, China e Rússia. O Brasil é o primeiro País a iniciar a segunda fase do projeto.

De acordo com o coordenador da pesquisa na FMT-HVD, Marcelo Cordeiro, a primeira fase do projeto foi dedicada à coleta de amostras de sangue, urina e secreções respiratórias, em pacientes e pessoas próximas aos pacientes. As amostras foram armazenadas em um biorrepositório na FJS. “Na FMT, já foram coletadas informações e amostras de 200 pacientes, entre eles pessoas próximas do doente”, destacou. O estudo pretende incluir 3.600 indivíduos no Brasil.
Contágio e evolução

Cordeiro explica que, a partir de agora, essas amostras serão analisadas. A previsão é que os estudos se estendam por mais dois anos, período em que os pacientes serão acompanhados. Algumas questões a serem observadas são: se pessoas próximas adoeceram, por que os diabéticos desenvolvem mais a doença e como a tuberculose evolui em pacientes com HIV.

“São questões que, em geral, não se consegue ter respostas em apenas seis meses, que é o tempo mínimo de tratamento da tuberculose. É preciso um estudo mais aprofundado, como este que está sendo feito”, afirmou.

Marcelo Cordeiro ressalta que, a longo prazo, o que se espera é que essas pesquisas possam indicar novos tratamentos contra a Tuberculose, mais eficazes no combate aos problemas identificados. E, também, novos exames (testes genéticos) que possam indicar, antes mesmo de o paciente iniciar a medicação, a resistência da bactéria ao tratamento.