CRM investiga empresas médicas que fazem propagandas de valores de serviços

Girlene Medeiros /redacao@diarioam.com.br

Manaus – O Conselho Regional de Medicina (CRM) informou que está investigando empresas e consultórios médicos que divulgam abertamente o valor de consultas e outros procedimentos médicos. A medida é proibida pelo Manual de Publicidade Médica (Resolução CFM nº 1.974/11) do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Uma das clínicas investigadas é o Dr. Consulta que tem placas espalhadas com valores de consultas médicas em diferentes bairros de Manaus. A reportagem percorreu alguns bairros e identificou placas do Dr. Consulta em ruas próximas ao Parque do Mindu, no bairro Parque 10 de Novembro, zona centro-sul de Manaus.

A equipe  identificou também vários cartazes afixados em uma parada de ônibus na Avenida Getúlio Vargas, no Centro, zona sul, além de cartazes afixados em postes de iluminação pública na Rua 24 de Maio, também no Centro da capital.

Nos anúncios, a clínica indica que pode ser encontrada em três endereços: nas avenidas Joaquim Nabuco e Tarumã, no Centro, e na Avenida Autaz Mirim, no bairro Jorge Teixeira, zona leste. Os cartazes da clínica apontam que as consultas e exames podem custar valores baixos, como o Exame Parasitológico de Fezes (EPF) por R$ 10. O valor mais alto é para fazer teste ergométrico pelo preço de R$ 163,80.

Para o CRM, a prática da clínica é proibida e representa uma concorrência desleal com os demais médicos. “É antiético e você pode até fazer desconto, mas não pode propagar o desconto”, disse o presidente do CRM, José Bernardes Sobrinho, acrescentando que os médicos podem fazer preços mais baixos e dar descontos em consultas, mas sem divulgar para o público.

É o que aponta  o Manual de Publicidade Médica, no item 14 sobre as proibições gerais: “é proibido divulgar preços de procedimentos, modalidades aceitas de pagamentos/parcelamento” ou concessões de descontos como forma de estabelecer diferencial na qualidade dos serviços médicos.

O presidente do CRM disse que está aguardando a produção de um relatório feito por um dos funcionários do conselho regional sobre a clínica que foi inicialmente denunciada há cerca de um mês. Segundo o médico, o próximo passo é abrir uma sindicância que vai avaliar a situação e, dependendo do resultado, serão apontadas punições que podem chegar até a abertura de um processo judicial. José Bernardes afirmou que recebeu denúncias de outras clínicas, que também praticam a divulgação de preços populares para consultas médicas, e que devem também ser investigadas.

Qualidade x preço

Sobrinho disse que a propaganda entre os profissionais médicos deve estar pautada na qualidade do serviço e não apenas em angariar paciente pelo preço das consultas. O médico alertou que, com valores de consultas tão baixos, não há garantias de que o paciente vá ser avaliado por profissionais de saúde de qualidade. “Às vezes, o serviço mais barato é um serviço muito inferior àquele que cobrou pouca coisa a mais”, ressaltou o médico.

Sem respostas

A reportagem ligou para o Dr. Consulta, por meio do número divulgado nos cartazes (3321-XXXX) para marcação de consulta. Na ligação telefônica, funcionários disseram que a empresa não faz parte da rede ‘Dr. Consulta’ existente em outros Estados brasileiros.

Sobre o anúncio do preço de consultas, a reportagem foi informada que não havia ninguém disponível para falar pela empresa em Manaus e para tratar sobre o assunto.