Defesa Civil apresenta ações de resposta à cheia

Comitê Técnico de Monitoramento da Cheia 2018 apresentou o prognóstico para uma possível cheia e as ações de resposta para desastres

Manaus – As calhas dos Rios Purus, Juruá e Madeira, que ficam a leste do Estado do Amazonas, são os principais alvos do Comitê Técnico de Monitoramento da Cheia 2018. De acordo com o secretário da Defesa Civil do Amazonas, Fernando Pires Junior, essas regiões recebem uma atenção especial para uma possível alerta de cheia.

Para o secretário, as calhas dos Rios Purus e Madeira são as mais preocupantes. “O nível das águas dessas calhas está subindo e já deixa a gente com a luz amarela. Não quer dizer que está fora do normal, pelo contrário, está dentro do normal. Mas para a Defesa Civil ela já tem um olhar aguçado para essas calhas, já tem uma atenção maior”, enfatizou o secretário.

(Foto: Divulgação)

Na manhã desta quarta-feira (24), os membros que atuam no Comitê se reuniram, no Centro Integrado de Comando e Controle (Cicc), para apresentar o plano estratégico de atuação e resposta a cheia. Por enquanto, nenhuma anomalia foi identificada e ainda não há nenhum alerta de cheia para o Amazonas.

“O aviso de alerta só sai se houver alguma anomalia social. O fato de estar chovendo muito e que o rio encheu muito não significa que vamos ter uma situação de emergência. O que vai nos dizer que nós estamos em situação de emergência é o afetamento social da comunidade”, explicou.

Atuação

O plano para uma possível cheio já foi estabelecido, segundo o secretário. As ações preveem o número de famílias que poderão ser afetadas, as áreas já levantadas e o que fazer se acontecer um desastre. De acordo com a Defesa Civil, para este ano, o atendimento alcançará, em média, 17.592 famílias.

Segundo o órgão, a principal preocupação é com a situação alimentar das famílias, a saúde, a trafegabilidade e os serviços essenciais, como água, luz e esgoto. Em cima dessas necessidades é que o Comitê vai atuar em caso de cheia e situação de emergência.

Para facilitar a logística de socorro aos afetados, duas embarcações foram adquiridas para as calhas do Juruá e Médio Solimões. As embarcações darão suporte para o deslocamento de famílias isoladas, monitoramento de áreas atingidas e distribuição de ajuda humanitária. Conforme informou a Defesa Civil do Amazonas, os barcos têm capacidade para transportar até 10 passageiros e 1.200 quilos de carga.

Nível do rio

O nível do Rio Negro, em Manaus, está marcando a cota de 22,15 cm, nesta quarta-feira (24). Em 2012, ano da maior cheia do estado, neste mesmo período, o Rio estava marcando 23,24 cm, o que representa 1,09 cm acima da cota deste ano, de acordo com dados divulgados pela Defesa Civil do Amazonas.

Para a meteorologista do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Luna Gripp Simões, se o alerta de chuva acima da média previsto pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) acontecer, neste trimestre, os rios de cabeceira serão os mais afetados por terem bacias pequenas.

“Se a gente pegar de maneira geral, na bacia toda, os rios estão dentro da normalidade, apesar dessa tendência de aumentar a precipitação daqui pra frente, observado em relação ao evento do La Niña. De acordo com o prognóstico do Sipam, a gente tem que observar daqui pra frente. Mas, por enquanto, tirando o Madeira, que teve uma situação de alerta há alguns dias, estamos numa situação de normalidade”, afirmou.

O chefe da divisão de meteorologia do Sipam, Ricardo Dallarosa, afirmou que, para os próximos dois meses, a climatologia prevê chuvas acima da média na estação chuvosa, o que representa uma certa preocupação.

“Nós vamos ter o reflexo disso nos rios lá pra junho. O normal para esse período, usando Manaus como referência, nós temos chuva na ordem de 300 mm. Esse mês de dezembro nós já tivemos mais 350 mm, em Manaus. Como a gente viu a região como um todo, na Amazônia Ocidental tiveram muitas áreas com excedentes de chuva”, completou.