Entidades organizam atos em alerta ao aumento da violência infantil

Manaus – Após o estupro de quatro crianças, em menos de uma semana, e o assassinato de duas delas, em Manaus, entidades ligadas à defesa dos direitos das crianças e adolescentes se articulam para realizar atos que chamem a atenção da sociedade para o aumento do número de casos de violência como esses, na capital. Panfletagens, palestras e manifestações estão entre os atos previstos.

Definido na tarde de ontem, durante reunião entre o Ministério Público do Estado (MP-AM), o Fórum da Criança e do Adolescente e demais órgãos que compõem a rede de enfrentamento à violência contra a criança, o ato público apoiado pela Arquidiocese e previsto para ocorrer na Rotatória da Feira do Produtor, na zona leste, na próxima sexta-feira, é uma das manifestações voltadas ao tema.

Segundo a integrante do Fórum, Amanda Ferreira, o evento pretende abordar a banalização da violência contra as crianças e contará com a presença de todas as igrejas da capital. “Os casos de estupro do bebê, da criança a caminho da padaria, da criança morta e enterrada pelo vizinho e da enteada assassinada pelo padrasto registrados, nos últimos dias, nos levaram a reunir e programar esse ato público”, disse.

A outra atividade prevista para o dia 17 com o objetivo de alertar a sociedade para a incidência de casos de violações de direitos dos pequenos é a palestra ‘Negligência Familiar, maus-tratos contra criança’. Comandada pelo conselheiro tutelar da zona sul, Petrônio Martins, o evento ocorre, às 14h30, no Escritório de Sustentabilidade do Parque Residencial Cajual, na Avenida Leopoldo Neves, bairro Santa Luzia, zona sul.

Segundo o coordenador-geral em exercício dos conselhos tutelares da capital, Márcio Menezes, as unidades de Manaus estudam a possibilidade de produzir, de forma conjunta, um informativo sobre o tema para distribuir à comunidade, assim como promover uma manifestação. “Como os colegas dos dois conselhos que cuidam do caso do bebê e da criança enterrada ainda trabalham nos procedimentos junto a delegacia, apenas na sexta-feira devemos nos reunir para discutir”, disse.

Preocupada com a frequência de casos de abuso sexual e demais violações de direitos de crianças e adolescentes, a Ordem dos Advogados do Brasil seccional Amazonas (OAB-AM) informou, nesta terça-feira, que dois advogados da entidade irão acompanhar os processos do bebê de 1 ano e 4 meses, estuprado e torturado pelo namorado da mãe, e de Jhuliany Souza da Silva, de 7 anos, estuprada, morta e enterrada pelo vizinho, que confessou o crime.