Estoque de leite está em déficit em maternidades do Amazonas

Por Annyelle Bezerra


Manaus – Os três Bancos de Leite Humano (BLH) do Amazonas estão com um déficit de 34% no estoque, neste ano. Segundo a coordenadora estadual de saúde da criança, Katherine Benevides, neste primeiro semestre, apenas 970 litros de leite foram pasteurizados, quando o ideal seria a adição de pelo menos 500 litros a mais nesta conta. Voltados a fornecer leite humano para maternidades públicas e privadas, os bancos processaram, em todo o ano passado, 3 mil litros de leite provenientes de doações, uma média semestral de 1,5 mil litros.

“A quantidade de leite nunca é suficiente. Nós sempre precisamos de mais, devido as eventuais perdas, pois por mais que as mães sejam orientadas, o leite humano é muito frágil e qualquer sujeira já inviabiliza o uso”, afirma.

Para a coordenadora, o déficit no estoque pode estar associado a dificuldade, insegurança e falta de conhecimento que algumas mães têm em relação a ordenha. Com doadoras rotativas, devido a secagem do leite, os bancos do Amazonas estão vinculados às maternidades Ana Braga, Azilda Marreiro e Instituto da Mulher Dona Lindu.

Doação

Destinado em primeiro lugar aos bebês internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) das maternidades, o leite pasteurizado pelos bancos de leite humano, no Estado, é fornecido, atualmente, por mais de 200 doadoras que contam com leite em excesso.

“Só a maternidade Ana Braga recebe, em média 15 doadoras, por dia. Mas sempre tem as que aparecem sem serem cadastradas”, afirma Benevides.

Para saberem se têm leite sobrando, as mães, segundo a coordenadora devem ser capazes de saciar o filho e ainda assim persistir com o seio cheio de leite.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Saúde da Criança e do Adolescente, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Ivone Amazonas, o leite materno concentra todos os nutrientes e anticorpos necessários para garantir a sobrevida, o desenvolvimento e a prevenção de doenças nos bebês.

“Hoje, 90% das crianças que nascem têm condições de ser amamentadas pela mãe. O leite materno é considerado como a primeira vacina do bebê, justamente, por ser capaz de prevenir doenças respiratórias como pneumonia e gripe, assim como, as diarreicas”, afirmou.

Os 10% restantes que não estão aptos a fazer uso do leite materno, de acordo com a coordenadora, se encaixam no grupo de bebês intolerantes a lactose, filhos de mães com HIV e prematuros.

De acordo com Amazonas, apesar de instintivamente todas as mulheres saberem amamentar, o estímulo do contato pele a pele e o primeiro aleitamento ainda na sala de parto contribuem para que as mães não tenham dificuldade de amamentar.

“Se esse estímulo não ocorre, a criança não vai conseguir com vigor pegar o peito sem machucar”, disse.

Potes

Precisando também de doações de potes vazios de maionese ou café solúvel, os três BLH do Estado receberam, neste ano, durante a campanha ‘Precisa-se de um frasco de vidro’, 70 potes que serão esterilizados e utilizados para armazenar leite materno, facilitando o transporte do material.

Os frascos foram recebidos pelo diretor administrativo financeiro da maternidade Ana Braga, Cacildo Junior, e pela coordenadora do Banco de Leite Humano, Elizabeth Hardman. A unidade tem Certificado de Excelência na Categoria A – Padrão Ouro, pelo Programa Iberoamericano de Bancos de Leite Humano, coordenado pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), com o apoio da Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, do Ministério da Saúde.