Givancir Oliveira, líder dos rodoviários, tem lista de ocorrências policiais

Desacato, violência doméstica, ameaça e injúrias, entre outros delitos, compõem lista de ocorrências policiais contra o presidente do Sindicato dos Rodoviários a qual o DIÁRIO teve acesso

Da Redação

Manaus – Com uma coleção de 12 Boletins de Ocorrências (BOs) desde 2012, o presidente Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM), Givancir Oliveira, já foi acusado na polícia de bater na mulher, desacato, agressão contra um idoso, ameaça e injúria entre outros delitos, conforme documentos obtidos pela REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC). O líder dos rodoviários, que trouxe o caos para a capital em sete dias de greve, tem dois registros de furtos do apartamento onde morava, na Ponta Negra, e em seu carro, de cerca de R$ 21 mil em espécie e joias de ouro.

Sob o comando de Givancir, rodoviários descumpriram decisões da Justiça. (Foto: Jimmy Geber)

Suspeito de coagir, ameaçar e ser mandante de agressões de testemunhas em ações trabalhistas, ele também é citado em um dos documentos que a reportagem teve acesso, de atentado violento à liberdade da associação, boicotagem e até corrupção eleitoral.

Conforme o boletim da Polícia Civil (PC), Rene Aldeir Rodrigues de Araújo, hoje com 67 anos, denunciou ter sofrido ameaças de morte do presidente do sindicato. De acordo com o documento da PC, nº 12.E.0171.0016679, o idoso teve o aparelho celular tomado e foi agredido pelo sindicalista.

Em outra ocasião, no ano seguinte, o idoso também denunciou às autoridades policiais o crime de injúria. Segundo a vítima, na ocasião ele foi ofendido com palavras como “pedófilo, vagabundo, safado pilantra, corno”, segundo consta na informação complementar do B.O.

A conduta do presidente do sindicato dentro da própria casa também foi denunciada pela mulher dele, que procurou, em setembro de 2013, uma delegacia para delatar as agressões de Givancir contra ela. A denúncia feita por Maria Marta Leite de Araújo que a reportagem teve acesso não trouxe outros detalhes.

Antes de descumprir decisões – até mesmo da presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT 11ª Região) que proibiu a deflagração da greve e multou em R$ 200 mil, por hora, na paralisação – Givancir chegou a ser preso por desacato após causar uma lesão corporal em uma confusão em frente à garagem da Eucatur, na zona norte. O agredido em questão era um policial militar, conforme consta no documento de apresentação do preso de nº 13.A.0144.0008570, que não identifica a vítima.

O desafio contra as autoridades não parou por aí na trajetória de Givancir. Após uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado (TJAM) que punia os motoristas da categoria, Oliveira voltou a liderar a paralisação. Mas desta vez, os punidos em R$ 1 mil, por hora, seriam os motoristas grevistas.

Outro lado

Givancir afirmou que, quanto às acusações dos BOs registrados em nome de Rene, que o mesmo realiza desde sua expulsão do sindicato reiteradas acusações infundadas. “Em 2010, ele foi expulso porque tentou matar um motorista, na gestão do Josildo. Ele esmigalhou a perna do colega dele e fica inventando, desde 2009, essas coisas. Ele tem pra mais 50 processos e tenta denegrir a minha imagem. Ele atropelou de propósito o colega que acenou com o dedo e foi para cima dele com o ônibus em cima dele que teve uma perna amputada”, disse.

Em relação ao registro de violência doméstica, Givancir negou que tenha sido chamado para qualquer esclarecimento a respeito dessa acusação. Já em relação à agressão contra um PM e a prisão, Oliveira afirmou que já foi “preso várias vezes por defender a categoria, mas não por agredir policiais. Já tive embate com polícia em uma operação que ocorreu de forma ilegal, mas não vingou o processo”, disse.

Conforme afirmou Givancir, em consulta ao Tribunal de Justiça do Estado (TJAM), não consta nenhuma ação na primeira e segunda instância, em nome do presidente do Sindicato.

Desobediência

Em sete dias da greve, encerrada, na tarde da última segunda-feira (4), o sindicato dos Rodoviários desafio o poder executivo e a Justiça. Liminares foram descumpridas levando a situação dos usuários do transporte público de Manaus ao extremo.

Uma tentativa de negociação, na sexta-feira (1º), intermediada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), não surtiu efeito, levando aos eventos de violência e revolta da população, quando mais de 60 ônibus foram depredados. A categoria recuou e aceitou os mesmos termos apresentados na reunião de sexta-feira, colocando fim à greve. O saldo foi um prejuízo estimado em R$ 5 milhões e a imagem da categoria, mais desgastada com a população.

Givancir coleciona denúncias na polícia

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Posted by D24am on Thursday, June 7, 2018