Governo Bolsonaro adia entrada de estrangeiros no ‘Mais Médicos’

O governo Bolsonaro decidiu adiar por mais 15 dias a entrada de médicos estrangeiros para vagas remanescentes no 'Mais Médicos'. A decisão revoltou o Conselho de Secretários Municipais de Saúde

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O governo Bolsonaro decidiu, nesta segunda-feira (21), adiar por mais 15 dias a entrada de médicos estrangeiros para o preenchimento das vagas remanescentes do programa ‘Mais Médicos’. No Estado, a decisão revoltou o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM). Segundo o órgão, mais de 200 médicos não se apresentaram até o prazo que se encerrou no último dia 10.

Na segunda chamada do programa para os médicos brasileiros, formados no exterior, não chegou a 15% o preenchimento das vagas da Região Norte. Para a segunda chamada, o governo federal ofertou 752 vagas e somente 103 foram preenchidas nos sete Estados.

O presidente do Cosems Januário Neto comentou a ratificação do Ministério da Saúde (MS), das vagas remanescentes de médicos que não se apresentaram nos municípios. A decisão adia, ainda, a disponibilização das vagas por médicos formados no exterior, conforme explicou o presidente da entidade.

Na segunda chamada do programa para os médicos brasileiros, formados no exterior, não chegou a 15% o preenchimento das vagas no Norte (Foto: Agência Brasil)

“Isso só pode ser brincadeira por parte do MS. Adiar por mais 15 dias é deixar mais de 600 mil pessoas, que estão à margem do sistema, sem assistência médica básica, sem resposta”, criticou Januário.

Como os municípios estão há quase três meses sem os médicos nas equipes, o interior está, ainda, na iminência de perda de recursos de custeio. Para Januário, a mudança no cronograma do Programa Mais Médicos é um “desrespeito” com os profissionais estrangeiros, que desejam ocupar essas vagas.

Vagas

O Pará e o Amazonas concentram 73% das vagas não preenchidas na Região Norte. Ao todo, os Estados têm 480 vagas ociosas, segundo MS.

O relaxamento de prazo, para Januário, prejudica “única e exclusivamente a população do interior do Estado do Amazonas, ferindo de morte as prefeituras e secretarias municipais que estão sacrificando mais do que podem para garantir ao menos o mínimo de decência no atendimento básico à saúde das pessoas”, alertou ele.

Conforme o presidente do Conselho, a entidade vai acionar formalmente o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), para que entre com uma representação junto ao MS, cobrando respostas sobre o programa.

A reportagem acionou a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, mas, até o fechamento desta edição não recebeu retorno.