Há provas ‘robustas’ de que jovens do Caso Grande Vitória foram mortos por PMs, diz MP

Novos laudos periciais reforçam acusação contra oito policiais militares. Eles são apontados pelo MP como envolvidos no desaparecimento de três jovens, com idade entre 19 e 25 anos

Manaus – Dois laudos periciais divulgados esta semana reforçaram o inquérito policial que serviu de base para a denúncia do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) contra 8 policiais militares envolvidos no desaparecimento de Alex Júlio Roque, de 25 anos, Rita de Cássia Castro da Silva, de 19 anos, e Weverton Marinho Gonçalves, de 21 anos, na zona leste de Manaus, no dia 29 de outubro de 2016.

Caso Grande Vitória
Alex Júlio, Rita de Cássia e Weverton Marinho desapareceram no dia 29 de outubro de 2016 (Foto: Divulgação)

Os corpos dos jovens não foram encontrados, mas o MP-AM entende que há provas robustas de que os 3 foram assassinados pelos policiais.

Um novo exame de DNA reafirmou que o material genético encontrado numa sandália e em um saco plástico, ambos coletados em um campo de futebol, próximo ao Ramal do Quixito, no Distrito Industrial 2, é da vítima Alex Júlio Roque de Melo, e não do irmão dele, como sustenta a defesa dos réus.

O outro laudo de perícia criminal foi realizado por peritos da Polícia Federal. A segunda confrontação balística confirmou que o estojo de munição, encontrado no mesmo local onde estava o material genético da vítima, saiu da arma usada pelo aspirante Luiz Ramos, um dos acusados.

De acordo com a perícia, foram feitas análises com microscópio que evidenciaram arranhaduras internas específicas na arma que, quando comparadas com o estojo, apontam que a munição saiu do armamento usado pelo aspirante.

Segundo os peritos “nem mesmo armas fabricadas em sequência possuem a capacidade de produzir as mesmas micro características nos elementos de munição ao serem disparadas”.

A defesa do réu questionou o primeiro exame balístico, alegando que o estojo em questão é procedente de um lote de munição utilizada em todas as armas desse tipo pela PM.

Para o Promotor de Justiça Rogério Marques Santos, do 3o Tribunal do Júri, os novos laudos confirmam o que já está na denúncia do Ministério Público.

“Os laudos afastam as suspeitas que a defesa dos acusados colocou sobre as provas periciais porque a intenção da advogada era desqualificá-las, e agora elas são muito mais robustas”, sustentou o Promotor. No link abaixo está disponível o link para o laudo de balística elaborado por peritos federais.