Identidade baré renovada, mas com raízes mantidas

O decreto que instituiu o Brasão de Manaus dá as orientações para a sua criação

Símbolo foi desenvolvido pela agência de publicidade Mene & Portella

Manaus – Totalmente reestruturado, o brasão da Prefeitura de Manaus foi, oficialmente, apresentado, na última quarta-feira, 28, pelo prefeito Arthur Virgílio Neto e pela primeira-dama, Elizabeth Valeiko Ribeiro. Uma mudança que envolve, principalmente, o resgate histórico desse símbolo, em toda a sua riqueza de detalhes.

Desenvolvido pela agência de publicidade Mene & Portella, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) e apoio do doutor em História do Amazonas e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Auxiliomar Silva Ugarte, além de diversos designers e pesquisadores, nos últimos seis meses, o símbolo reúne elementos que simbolizam a identidade de Manaus, seguindo as descrições do decreto municipal de 17 de abril de 1906 — ano em que o escudo foi utilizado, pela primeira vez, por Adolpho Guilherme de Miranda Lisbôa, superintendente municipal.

O decreto que instituiu o Brasão de Manaus dá as orientações para a sua criação. Na parte superior está a data de ‘21 de Novembro de 1889’, dia em que a cidade aderiu à Proclamação da República.
Pela nova configuração, o brasão apresenta, nas duas partes menores de seu desenho: o Encontro das Águas, com a expedição de Francisco Orellana, responsável pelo primeiro registro histórico feito no Amazonas; e a fundação de Manaus, com a fortaleza construída pelos portugueses, as casas de palha e duas figuras centrais, representando a paz celebrada pelo casamento de uma filha do cacique com o comandante da Escola Militar Portuguesa. Na parte maior, um trecho do rio, tendo, em relevo, na frente, uma seringueira — árvore símbolo da economia de Manaus no apogeu do ciclo da borracha.

O trabalho do professor doutor Auxiliomar Silva Ugarte mostrou que estavam em local errado os bergatins, as canoas dos descobridores, no primeiro quadrante. Já a bandeira do segundo quadrante era a atual de Portugal e não a da época colonial, dos descobrimentos. Por fim, a árvore do quadrante maior era uma castanheira e não a seringueira, de onde se obtém a goma. Feitas as correções, o trabalho foi submetido ao artista plástico Oscar Ramos, curador do Paço da Liberdade. Também coube a ele a revisão final. “O meu trabalho, que durou, aproximadamente, 30 dias, foi ajustar todos os elementos ao que determinava o decreto de criação do brasão”, afirmou o historiador.

Durante a pesquisa, foram encontrados brasões nas representações mais díspares, nenhum deles fidedigno ao decreto de 1906. O Paço Municipal, o Mercado Adolpho Lisboa e o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha) têm representações diferentes. O próprio decreto original, do intendente Adolpho Lisboa, foi encontrado apenas em um livro, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, e em uma edição do Diário Oficial do Estado, no acervo do Centro Cultural dos Povos da Amazônia.

Faltavam apenas as letras para a assinatura, ‘Prefeitura de Manaus’. Os criadores da agência foram buscar inspiração na arquitetura da cidade. As curvas são das luminárias do mercado Adolpho Lisboa, enquanto as linhas retas do alto das colunas do Paço Municipal e as cores advindas do Teatro Amazonas.

Com o novo brasão, a Prefeitura de Manaus encerra o uso do símbolo e marca anteriores.

Processo

A volta do brasão como ícone da cidade e marca da administração municipal faz parte de um trabalho de resgate histórico que vem sendo realizado pela Prefeitura de Manaus, nesta gestão, desde 2013, com a reinauguração do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e do Paço da Liberdade; seguindo com a nova Avenida Eduardo Ribeiro; e o resgate do Centro Histórico da Cidade, como um todo, a partir do projeto Viva Centro e PAC Cidades Históricas.

“O brasão da Prefeitura é a nossa marca oficial, é a nossa história. É a nossa cara. É o nosso passado, o nosso presente. Eu espero que nos projete para um futuro brilhante, social e econômico. Não adianta inventar logomarcas porque não vai ser um governo melhor, ao contrário, o governo fica melhor quando se conscientiza que tem uma identidade histórica. E que essa identidade histórica venha para nós com todas as forças espirituais, psicológicas e físicas para construirmos uma Manaus melhor”, disse o prefeito.