Insegurança e medo no Viver Melhor

Em dez horas, três pessoas foram mortas e população diz que foragidos se escondem na área

Gisele Rodrigues/Redacao@diarioam.com.br

Foto: Sandro Pereira

Manaus – Com medo da ação dos traficantes e dos presidiários foragidos, moradores do bairro Santa Etelvina, temem pela segurança de suas famílias. No extremo da zona norte de Manaus, moradores relataram o abandono da segurança pública na região. A REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) apurou que, somente nos primeiros quatro meses deste ano, pelo menos 11 assassinatos foram cometidos no bairro, três deles, em menos de dez horas, no último final de semana entre os dias 8 e 9 de abril.

O clima de insegurança foi percebido logo quando a reportagem chegou ao bairro Santa Etelvina, para conversar com os moradores. Uma das entrevistadas se recusou a falar sobre o assunto, afirmando que tinha medo dos traficantes da região. Grande parte dos entrevistados pediu para não serem identificados, também com medo de sofrerem represálias.

“Aqui a gente vive com medo, não sabe o que pode acontecer com a gente ou com nossa família. Parece que tudo o que não presta na cidade veio morar aqui. Até porque esse pessoal todo morava nos rip-raps, vieram pessoas de bem, mas o que não presta que morava nessas áreas vieram todos para o mesmo lugar”, disse uma desempregada do conjunto residencial Viver Melhor 2, na zona norte da cidade.

Sofrendo com os constantes assaltos, o aposentado Carlos Farias, 65, disse sair de casa, sempre, sem o telefone celular. Segundo ele, os assaltos aos ônibus são diários no bairro.

“Está terrível essa situação. Estou saindo sem nada, por causa desses assaltos. A gente não pode se expor porque está muito perigoso. E ainda tem outra coisa, o tráfico está demais e ninguém vê polícia”, disse o aposentado pouco antes de entra em um ônibus do transporte público.

O aposentado lembrou, inclusive, que um motorista de micro-ônibus foi executado, após um roubo ocorrido na localidade.  O condutor do micro-ônibus do transporte alternativo Antônio Alves de Souza, 59, foi morto com um tiro na nuca, por volta das 18h30, no início do mês de março, na Rua Nossa Senhora de Fátima, bairro Santa Etelvina, zona norte de Manaus, em um latrocínio, roubo seguido de morte. De acordo com informações de investigadores da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o suspeito, Diemerson Monteiro Silva, foi preso pela Polícia Militar (PM) e foi reconhecido pelo cobrador e uma passageira que estavam no coletivo.

Avenidas como a Sete de Maio, no bairro Santa Etelvina, é conhecida, segundo a desempregada Tatiane Cardoso, 26, pelos assaltos nas primeiras horas da manhã.

“Aqui bandido acorda é cedo para roubar, dá umas 5h30 até umas 7h, é cheio de assalto por aqui nesse horário. A gente tem que ficar trancado dentro de casa. A questão da segurança está péssima no bairro. Não vejo policial na rua, quando vejo estão pegando dinheiro com traficantes”, afirmou.

Para a  vendedora Aliane Monteiro, 20, a segurança pública piorou, após a entrega dos apartamentos do conjunto Viver Melhor. Na avaliação de Monteiro, antes da chegada do residencial o bairro que já não tinha estrutura, contava com pouco policiamento. “Eu ando mais de um quilômetro todo dia para chegar ao trabalho. E eu vou te falar, chego aqui apavorada, ando super-rápido, morrendo de medo e em alerta”, relatou.

Medo

Moradores do Viver Melhor, também, no bairro Santa Etelvina, são os que apresentaram mais receio em relatar, à reportagem, os problemas enfrentados na comunidade.

Um vendedor de frutas, que preferiu não se identificar, disse que os tiroteios na madrugada são quase que diários. “A gente tem que se fazer de mudo, porque se não sobra para a gente”, disse ele.

Um dos problemas do bairro que fica afastado do centro da capital, conforme o vendedor, está na proximidade do conjunto Viver Melhor com os presídios do Estado. Os presos deixam o sistema prisional e se escondem, segundo os moradores, dentro dos apartamentos do residencial.

“A verdade é que a gente não sabe nem quem é que mora no apartamento de cima, sabe? Muitos presos vem se esconder aqui e como é muito grande acho até difícil a polícia achar, fora que a gente tem medo de denunciar também”, afirmou.

No final do mês, Alexsandro de Souza Reis, 29, que havia fugido da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus, foi recapturado, na Comunidade Lago Azul, no Santa Etelvina, na zona norte, no último domingo (9). Alexsandro, que cumpria pena por roubo foi localizado por policiais.

Comentários via Facebook