Instituto pagava até R$ 100 mil para ‘destinos estranhos’, diz funcionária

De Asafe Augusto

Manaus – O empresário Mouhamad Moustafa e sua sócia, Priscila Marcolino Coutinho, apontados pela Polícia Federal como os líderes de um esquema que desviou R$ 112 milhões do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas, realizavam pagamentos de até R$ 100 mil, sem a emissão de nota fiscal, para “destinos estranhos”. É o que afirmou a analista financeira da empresa Salvare, Keityane da Rocha. Ela prestou depoimento, na manhã desta segunda-feira (8), na audiência da operação ‘Maus Caminhos’.

De acordo com Keityane, uma das empresas que recebia sem nota fiscal, e apenas por meio de transferência, era a ‘JHL’, ligada a AudioMix, empresa que cuida da carreira de alguns artistas da música sertaneja. “Eram transferências esporádicas de R$ 100 mil para eles. Não tinha uma data certa”, disse.

Durante o depoimento, Keityane confirmou ao procurador da República, Alexandre Jabur, que haviam outros pagamentos que ela considerou que seriam para ‘destinos estranhos’, pois não tinham relação alguma com a finalidade dos serviços da Salvare, como a contratação de artistas, consultoria de negócios, parcela de carro para terceiros e transporte.

A testemunha afirmou que eram transferidos valores, não informados, para a empresa Rico Taxi Aéreo, no qual os serviços eram utilizados por Mouhamad.

 

Depoimentos

Na manhã desta segunda-feira (8), quatro pessoas foram ouvidas. À tarde, duas testemunhas prestarão depoimento. A próxima audiência está marcada para o próximo dia 12, sexta-feira. Na ocasião, serão ouvidas as testemunhas de defesa de Priscila Marcolino. Entre eles está o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado, David Almeida (PSD).

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o Instituto Novos Caminhos (INC) concentrava repasses vultosos feitos pelo Fundo Estadual de Saúde do Estado do Amazonas. De abril de 2014 a dezembro de 2015 foram repassados, ao INC, mais de R$ 276 milhões. As investigações constataram fraudes nos contratos de serviços de saúde do Estado, que ocorriam pela contratação de empresas comandadas direta ou indiretamente por Mouhamad.