Operação da PF apura esquema de venda de decisões judiciais

Manaus –A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a operação ‘La Muralla 2’ e cumpre 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em gabinetes e secretarias do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e no Fórum Henoch Reis, em quatro escritórios de advocacia e na residência dos investigados, que também serão intimados para prestar esclarecimentos na Polícia Federal ainda hoje.

Conforme a Polícia Federal, a ação é um desdobramento da Operação La Muralla, deflagrada em novembro do ano passado, para aprofundar as investigações relacionadas à existência de um suposto esquema de negociações de decisões judiciais, envolvendo autoridades do Poder Judiciário do Estado Amazonas, para beneficiar integrantes de uma facção criminosa.

Os alvos são advogados, servidores e membros do Poder Judiciário do Estado do Amazonas. Entre os investigados estão os advogados Klinger Oliveira, Luciana Terça, Flavicia Dias de Souza e Gorete Terças.

Durante a manhã, agentes da PF estiveram no gabinete e na residência da desembargadora Encarnação das Graças Sampaio Salgado e do juiz Luis Carlos Valois Coelho.

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, atual corregedor-geral e presidente eleito do TJAM, acompanhou o cumprimento dos mandados na sede do tribunal. Ele justificou que a questão está sendo tratada pelo STJ. “Apenas recebemos a determinação para acompanhar, não sabemos exatamente do que se trata. Nunca recebemos nenhuma denúncia, até porque não caberia a corregedoria. Questões ligadas aos desembargadores são tratadas diretamente com a presidência do tribunal, STJ ou CNJ (Corregedora Nacional de Justiça)”, explicou Pascarelli, reforçando que a corregedoria nunca recebeu nenhuma representação contra a desembargadora e juiz investigados.

“Uma situação como essa arranha a imagem de qualquer instituição, é um fato constrangedor, mas faz parte do procedimento democrático. Se é uma investigação, todos estão sujeitos a lei, não há diferença”.

Em nota, a PF afirma que as investigações correm sob segredo de justiça no STJ, por envolverem autoridades com foro por prerrogativa de função naquela Corte Superior.

Nesta segunda fase, a ação contou com a participação de mais de 100 Policiais Federais, além de representantes do Superior Tribunal de Justiça – STJ e da Procuradoria Geral da República – PGR, que se deslocaram para a capital amazonense para compor algumas das equipes.

Primeira fase da operação

A primeira fase da La Muralla foi deflagrada em novembro do ano passado, para desarticular uma facção criminosa que atua no tráfico internacional de drogas, operando o tráfico de armas, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, roubos, homicídios, sequestro, tortura e corrupção de agentes públicos.