Mais de mil famílias vivem em risco no Amazonas

Foram mapeados pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e as Defesas Civis da capital e do Estado, 734 áreas de risco de alagamento e desmoronamento com ápice na época de chuva

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Em todo o Amazonas, mais de 1,5 mil famílias vivem em áreas de risco. Só em Manaus, até 2012, foram mapeados pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e as Defesas Civis da capital e do Estado, 734 áreas de risco de alagamento e desmoronamento, que registram o ápice durante os períodos de chuvas.

A atualização do mapeamento de áreas de risco iniciada no ano passado deve ser concluída nos próximos meses, segundo o secretário de Defesa Civil do Estado, Fernando Pires. As vistorias técnicas das equipes servem para trabalhar as ações de prevenção de riscos, segundo explicou o órgão.

Famílias criam laços com o local de risco e resistem em se mudar (Foto: Raquel Miranda/RDC)

Segundo a Defesa Civil do município, até o ano passado, foram identificadas 851 moradias vulneráveis em áreas de risco geológico muito alto, em 15 bairros de Manaus, sendo a maior concentração nas zonas norte e leste da cidade.

A situação mais crítica, conforme o secretário municipal de Defesa Civil, Cláudio Belém está no bairro do Mauazinho, na zona leste de Manaus. O bairro sofre com a estrutura geológica que proporciona áreas de “muita depressão, áreas de vale, que tem episódios de risco de deslizamento e que alagam”, conforme explicou.

Em um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Pires afirmou que cerca de metade da população do Estado, 2 milhões de pessoas, viviam em áreas de risco. Conforme o secretário estadual, o levantamento não apontou, no entanto, os tipos de riscos encontrados.

De acordo com a Defesa Civil, as casas mapeadas pelo governo podem estar expostas a desastres naturais, como desabamentos e inundações e, por isso, trabalham mensalmente a vistoria técnica que são realizadas pelos agentes do órgão.

Como parte da prevenção, dois projetos estão sendo trabalhados, segundo a entidade municipal. Os Núcleos de Proteção e Defesa Civil Comunitário (Nupdecs) e a Defesa Civil nas escolas fazem o trabalho de conscientização, segundo Belém, dos riscos que correm os moradores das áreas mapeadas.

No entanto, ainda não tem sido suficiente, na avaliação de Belém. Mesmo alertando sobre os riscos, os órgãos municipal e estadual afirmam que o maior problema se inicia na troca da segurança por uma casa fornecida pelo governo do Estado.

“No caso do Educandos, já estávamos finalizando o cadastramento que daria início ao processo indenizatório do Prosamim. Mas nesse cadastramento chegamos a pessoas que moram há 50 anos, já fizeram uma história naquele local. É difícil, mas eles têm que sair. Esse é o papel do poder público de conscientizar os moradores dessas áreas do risco”, afirmou Pires.

Os fatores antropológicos e sociais mantêm resistência das famílias em deixar os locais de riscos, segundo o secretário.

O importante é, segundo o secretário estadual, após a retirada das famílias, a região de risco ser ocupada pelo poder público, para evitar o retorno dos moradores. “Áreas de riscos são transformadas em parque, praças, um local de passeio e lazer que não ofereça risco precisa ser feita após essa retirada. Ou seja, transformar uma área imprópria para melhoria da comunidade. Temos que ocupar. Só funciona dessa maneira, porque se deixar o vácuo eles retornam”, disse Pires.

Moradores de Anamã se recusam a deixar o local atual

Conforme o secretário estadual de Defesa Civil, Fernando Pires, o município de Anamã (distante 165 quilômetros a oeste de Manaus) está construído em local risco, mas a ideia de transferir as moradias para um local mais seguro foi reprovada pela totalidade da população.

“Anamã todo ano fica embaixo d’água, é um município que está 100% em uma área de risco. A população não quis sair, então o jeito foi fazer casas de alvenaria acima do nível máximo do Rio, para se tornar mais resiliente. Na seca ocupam todos os andares. Então, no verão, a parte debaixo da casa se torna garagem das motos, na cheia os andares viram estacionamento para os barcos”, disse o secretário.