Estacionamentos irregulares serão fiscalizados em Manaus

Por Annyelle Bezerra


Manaus – Retornos bloqueados, alças de acesso desativadas e até espaços sem tráfego próximos a viadutos vêm sendo utilizados por motoristas, em Manaus, como pontos de parada e estacionamento irregular. Na tarde da última segunda-feira, o DIÁRIO flagrou pelo menos 12 veículos estacionados em locais do tipo, nas zonas oeste, sul e centro-sul.

Na Avenida Santos Dumont, bairro Tarumã, zona oeste, para não arcar com o preço do estacionamento do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, cinco proprietários aproveitavam um retorno bloqueado com ‘dentes de dragão’ para manter os veículos parados, a poucos metros da entrada do complexo. Além de descumprirem as normas de trânsito, os motoristas, ao tentarem economizar, se arriscavam a ter os veículos roubados.

No cruzamento das avenidas São Jorge e Constantino Nery, zona sul, a situação não é diferente. Com a ausência de estacionamentos no entorno, quem trabalha ao longo da via ou precisa fazer compras nas lojas presentes na área, estaciona o carro no topo do aclive, numa alça fechada improvisadamente por blocos de concreto. Às 15h30 de segunda, cinco veículos permaneciam estacionados irregularmente no espaço.

Morador do bairro Santo Agostinho, zona oeste, o aposentado Antônio Ajurimar Rodrigues, 55, conta que, diariamente, trafega pela Avenida São Jorge e se incomoda ao ver que uma alça que poderia contribuir para a fluidez do trânsito está servindo como estacionamento privado.

“Todos os dias têm carros parados lá. Há dias que até guincho a gente flagra. Entrei em contato com o Manaustrans, em março, pelo Facebook, me pediram fotos e vídeos, mandei, mas nunca deram retorno. Se existe uma alça, por que não liberá-la”, questiona.

As paradas e estacionamentos irregulares, porém, não ocorrem apenas em trechos bloqueados. Na Avenida Ephigênio Sales, zona centro-sul, nem mesmo o espaço embaixo do viaduto Miguel Arraes escapa dos motoristas.

Localizado próximo ao Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), o local, apesar de não destinado ao tráfego, conta com um fluxo intenso de carros e motocicletas parando e estacionando, no período da manhã, horário de funcionamento do órgão.

Engenharia Detran

Procurado para comentar o caso, o engenheiro do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) Mesaque Oliveira informou que uma equipe do setor de engenharia do órgão seria enviada para avaliar se os estacionamentos são irregulares e se estão prejudicando o tráfego de veículos.

Oliveira informou também que a alça, atualmente desativada no cruzamento da Avenida São Jorge com a Avenida Constantino Nery, foi feita de forma provisória para atender à necessidade de contrafluxo, durante a realização das obras da Ponte do São Jorge, em 2014.

Classificado pelo engenheiro como uma ‘zona morta’, o perímetro embaixo do viaduto Miguel Arraes precisa passar primeiro por uma avaliação da equipe de engenharia para a avaliação da situação, segundo ele. “O caso é semelhante ao do São Jorge. É uma zona morta que não é trafegável. Mas a equipe teria que ir lá para ver se há alguma irregularidade, assim como na Avenida Santos Dumont”, disse.

De acordo com Mesaque, a falta de sinalização nos locais acaba sendo  interpretada pelos proprietários de automóveis como permissão para a prática. “É praticamente aquela premissa de que onde não é proibido é permitido. Mas existem áreas em que mesmo sem sinalização, o condutor é capaz de identificar o impedimento, como em pontes e canteiros centrais, por exemplo”, disse.