Média da cheia deve ser de 29,21m

Alerta de Cheias Ontem, a cota do Rio Negro estava a 4 centímetros de atingir a cota de emergência e, segundo especialistas, a cheia deve variar entre 28,96 e 29,46 metros

Diogo Rocha/Redacao@diarioam.com.br

Situação Município calcula que até 12 bairros da capital serão os mais afetados pela cheia do Rio Negro               Foto: Sandro Pereira

Manaus- Com a cota do Rio Negro, ontem (31), medindo 28,96 metros e a quatro centímetros da cota de emergência (29 metros), a previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) é que a cheia em Manaus atinja a cota média de 29,21 metros, ultrapassando em 2,02 metros a enchente do ano passado. Na manhã de quarta-feira, o CPRM divulgou os dados do 3º Alerta de Cheias do Rio Negro para a capital do Amazonas informando que a marca de cheia, em Manaus, ainda pode variar entre 28,96 a 29,46 metros.

Mas mesmo que a previsão de cota máxima (29,46 metros) para o ano de 2017 seja atingida com o processo de enchente da bacia do Rio Negro, ainda, não superaria a marca histórica de cheia em Manaus, de 29,97 metros, registrada no dia 29 de maio de 2012. A enchente deste ano, provavelmente, será a segunda maior da história, como previu o CPRM, quando divulgou o primeiro alerta de cheia, no dia 31 de março.

O superintendente do CPRM, Marco Antônio Oliveira, alertou que, neste ano, a duração da cheia em Manaus deve ser de mais de 20 dias, até meados do mês de junho. As inundações em grandes áreas de Manaus começarão quando o nível do rio atingir os 29 metros. A Defesa Civil Municipal calcula que até 12 bairros da capital, como Educandos, Matinha, Raiz e Colônia Antônio Aleixo, serão os mais afetados pela cheia do Rio Negro.

Processo de cheia

“O processo de cheia em Manaus continua evoluindo. O rio já ultrapassou a cota de alerta para a cidade de Manaus e esse tempo de permanência das águas altas deve continuar por 20 a 25 dias, com as águas dentro das casas”, explicou Oliveira.

O superintendente do CPRM também informou que as águas do Rio Negro devem parar de subir nos próximos dias, mas sem uma previsão exata. “Se chover dentro da média, vai ser também uma cheia que evoluirá de forma mais lenta”, disse Marco Antônio.

Durante a divulgação do 3º Alerta de Cheias do Rio Negro, na sede do CPRM, no Aleixo, zona centro-sul de Manaus, o chefe de Divisão de Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Dallarosa, informou que as chuvas não serão ‘significativas nas duas próximas semanas’ na cidade.

“A expectativa não é de chuvas com volumes muito elevados, porque estamos começando a estação seca. Claro, que no início da estação seca ainda temos eventos como (o temporal) de ontem (terça-feira, dia 30 de maio), que choveu na cidade em torno de 50 milímetros em um período relativamente curto. Isso faz parte do período de transição, alguns dias de sol forte, temperaturas elevadas, e uma tempestade e outra intercalando”, explicou Dallarosa.

O nível da cheia do Rio Negro, conforme Dallarosa, sofrerá influência direta do período chuvoso do mês de maio. “O aporte (hídrico) maior deve vir a partir da bacia do Rio Negro. E as águas (das chuvas de maio) vindas para o Rio Negro afetam as comunidades mais abaixo, como Parintins (a 369 quilômetros a leste de Manaus), que entrou em situação de emergência”, disse o chefe de Divisão de Meteorologia do Sipam.

A pesquisadora do CPRM, Luna Gripp, explicou que as condições das cheias dos rios desde o início do ano indicam que, dificilmente, a cheia do Rio Negro, em Manaus, passará a marca histórica de 2012. “Desde o começo de fevereiro e março estamos nos distanciando do que aconteceu em 2012, indicando que não teremos uma cheia da magnitude de 2012. Em termos de magnitude de cheia e duração deve, durar mais na cota de 29 metros”, afirmou Luna.

A Defesa Civil do Amazonas informou que, atualmente, 32 municípios do Estado estão em situação de emergência (enchente) devido às cheias dos rios e 57.826 mil famílias foram afetadas. Em Manaus, a Defesa Civil Municipal tem trabalhado em áreas de cota de inundação e já construiu mais de dois mil metros de pontes nos bairros afetados.