No AM, idoso sofre algum tipo de violência a cada 12 horas

De Gisele Rodrigues

Manaus – A cada 12 horas, em média, um idoso sofre algum tipo de violência, no Estado. De janeiro a agosto deste ano, 652 pessoas com mais de 60 anos denunciaram ter sofrido algum tipo de violação dos seus direitos, segundo dados do Sistema de Informações Governamentais do Amazonas (E-Siga). A extorsão, por meio de empréstimos consignados, está entre os abusos mais crescentes, segundo o diretor do Departamento de Proteção Social Especial (DPSE) da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Seas), Ítalo Nonato.

Das 652 denúncias registradas, neste ano, a maioria ocorreu em janeiro, 110 casos. Na sequência, estão junho (96), março (90), fevereiro (89), abril (83) e julho (73). Além dos Boletins de Ocorrência (BOs), registrados em delegacia, as violências registradas pelo Disque 100 também são encaminhadas a Seas. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma queda nas denúncias de 37%.

De acordo com o diretor, na maioria das vezes, são familiares que levam o idoso a fazer empréstimos consignados. Muitas vezes, conforme Nonato, o número de operações é tão grande que o idoso tem o comprometimento total da aposentadoria ou benefício de prestação continuada. “O familiar força esse idoso a fazer o empréstimo, sendo que ele não tem esse entendimento de como pagar, de quanto custa e nem vê a cor do dinheiro. Chega até a nem receber a sua aposentadoria toda”, disse.

Segundo o diretor os maus-tratos têm dado lugar a formas de violência mais difíceis de comprovar criminalmente. “Aquela coisa de espancar, de bater não tem muito mais não, porque eles viram que deixa a marca, deixa provas. Os familiares passaram a trancar a pessoa no quarto, deixar aquele idoso abandonado numa rede no fundo da casa, deixar sem comer. É uma alternativa à agressão física”, disse.

Segundo Nonato, 85% dos agressores são parentes próximos, como filhos e irmãos da vítima. “Às vezes, esse idoso não tem coragem de denunciar o filho, filha, irmão que está cometendo esses maus-tratos. As equipes de acolhimento vão até o local, constatam a violência, mas, se o idoso não se sente violentado, não há crime. Por isso, é tão importante essa sensibilização”, disse.

Nos crimes registrados pelo Disque 100, as visitas às casas dos idosos, para a checagem da ocorrência são realizadas pelos técnicos do Centro de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (CIPDI). Já nas situações em que a denúncia é registrada diretamente na Delegacia Especializada em Crimes Contra o Idoso (Decci), a confirmação ou não da irregularidade é feita pelos investigadores.

No total, 939 idosos do Amazonas foram atendidos no CIPDI, no primeiro semestre deste ano, conforme o E-Siga.