População diz que vive insegura

Moradores da capital amazonense afirmam que vivem com medo de roubos e furtos a qualquer hora do dia e em qualquer lugar da cidade

Girlene Rodrigues/Redacao@diarioam.com.br

Foto: Reinaldo Okita

Manaus – A insegurança é um sentimento constante para quem mora em Manaus. Residindo em áreas periféricas ou centralizadas da capital, a população se diz presa dentro de casa, mesmo que a moradia seja um condomínio fechado com segurança 24 horas. Seja perdendo as contas de quantas vezes foi assaltado ou ouvindo tiroteios de dentro do apartamento, é precisa tomar precaução para andar pela cidade.

A auxiliar administrativo Sephora Melo, 30, quase perdeu as contas de quantas vezes teve o celular roubado em diferentes ruas de Manaus, sendo que um dos assaltos aconteceu em um ônibus. Nos últimos três anos, ela disse que ladrões roubaram o celular dela na Praça da Matriz e na Avenida Getúlio Vargas, no Centro da capital, e na Rua Codajás, no bairro Cachoeirinha, zona sul.

Só ano passado, ela disse ter sido assaltada três vezes. Como consequência dos assaltos, Sephora disse ter adquirido síndrome do pânico e ter dificuldade para andar sozinha na rua. “Eu não paro de olhar ao redor. Fico sempre com o medo de ser surpreendida por algum marginal”, disse.

Também na zona sul da cidade, uma mulher, de 29 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que, nas últimas três semanas, ouviu tiroteios, em três dias diferentes, próximo ao condomínio onde mora, na Rua General Glicério, bairro Cachoeirinha.

Assaltos

Na zona norte da capital, o líder comunitário do núcleo 22 do bairro Cidade Nova, Pedro Soares, 48, afirmou que uma das áreas do bairro em que mais há assaltos é na entrada do conjunto Manoa. Ele disse que acompanha a esposa na rua, enquanto ela aguarda a rota da empresa onde trabalha ir buscá-la. Segundo ele, rotas de empresas, também, já foram alvos de assaltados.  “Isso sem contar outros tipos de assaltos que são constantes às pessoas e roubos nas casas”, disse o líder comunitário.

Também na zona norte, o técnico em enfermagem Olavo Batista, 28, disse que já foi assaltado duas vezes em uma das paradas de ônibus da Avenida Tenente Roxana Bonessi, conhecida como Avenida do Passarinho, no Colônia Terra Nova, zona norte. “Já até pensei em nem comprar mais celular”, afirmou o técnico em enfermagem.

A social media Bianca Diniz, 19, disse que anda tão temerosa com a falta de segurança na capital que, enquanto pedestre, prefere andar longe de pessoas que possam oferecer algum perigo. Ela afirmou que costuma andar, nas avenidas Djalma Batista e Darcy Vargas, no bairro Chapada, zona centro-sul, e evita passar por locais escuros e pelas passarelas, das duas vias, quando está sozinha. “Sempre tem um cara lá (na passarela) e fica pedindo dinheiro, mas, hoje em dia, a gente nunca sabe”, disse.

Desistiu do celular

A estudante Mariana Moraes Guimarães, 26, precisa do transporte público para se locomover para ir ao trabalho e à faculdade, no Centro da capital. Moradora do bairro São José, na zona leste da cidade, a estudante desistiu de ter smartphone e passou a comprar celular simples por medo de ser assaltada. “É o celular do ladrão, como se diz”, afirmou.

A dona de casa Maria Raimunda de Glória Menezes, 61, afirmou que teme ser assaltada e, por isso, tem o ritual de rezar antes de sair de casa. “Do jeito que está, é melhor entregar-se a Deus”, afirmou a dona de casa que é moradora da Rua São Francisco, da Comunidade Nova Vitória, no bairro Gilberto Mestrinho, também na zona leste.

O auxiliar administrativo Roberval Rios, 41, reclama de roubos a casas. Ele afirmou que a prima dele, de 26 anos, teve a casa invadida, há três meses. Desacreditado, ele disse que a parente não registrou Boletim de Ocorrência (BO) sobre o caso. “Graças a Deus não fizeram mal nenhum e roubaram celulares e alguns eletrodomésticos”, afirmou o auxiliar administrativo, mencionando o roubo registrado na Rua Gurupi, no bairro Redenção, zona oeste.

Morador da Avenida Laguna, no bairro Lírio do Vale, o estudante Rogério Sales, 18, disse que já foi assaltado duas vezes, neste ano, em paradas de ônibus da avenida, no período noturno, durante a semana, ao voltar da faculdade. “Não tem jeito. A gente fica muito vulnerável”, afirmou o estudante.

 Segurança

A reclamação dos moradores da capital existe mesmo após os esforços de conter a criminalidade realizados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) voltadas ao combate de assaltos em ônibus, paradas de ônibus e policiamento em áreas identificadas como manchas criminais.

Sobre a segurança na capital, o secretário da SSP-AM, Sérgio Fontes, afirmou que sabe que a população vive “um momento difícil na segurança pública nacional”. “Outras grandes cidades estão vivendo situação bem pior que a nossa e não há uma só capital que não esteja vivenciando momentos complicados nesta área (de segurança)”, disse o secretário.  De acordo com Fontes, a crise econômica e o tráfico de drogas potencializaram o crime na capital amazonense.

No entanto, segundo o secretário, a SSP-AM está combatendo as ocorrências de crimes com milhares de prisões. De acordo com Fontes, no ranking das cidades mais violentas do mundo, Manaus caiu da 26ª posição, em 2011, para 46ª, em 2016. “Somente no ano passado, foram mais de 10 mil prisões, mas a polícia, sozinha, não esgota a questão de segurança pública, pois a atuação se limita às consequências e não às causas”, afirmou o titular da SSP-AM, acrescentando que é preciso que a população colabore com a atuação policial, informando sobre o que souber sobre crimes.

Algumas das ações da secretaria, nos últimos dois meses, incluem a operação Águia, com policiamento em áreas com maiores incidências de crimes em Manaus; e operação Catraca, nas zonas leste e norte da capital, com ações policiais de abordagens de passageiros de micro-ônibus Executivos e Alternativos nas principais ruas dos bairros Cidade de Deus, na zona leste; bairro Nova Cidade, na zona norte; e no conjunto residencial Viver Melhor, também zona norte, como medidas de prevenção e combate à criminalidade no sistema de transporte público da capital.