Prédios abandonados: moradores sob perigo

O assunto sobre o risco que correm moradores em prédios abandonados, em Manaus, tomou destaque na ALE, após a tragédia que ocorreu em São Paulo, com um edifício de 24 andares

Da Redação/ redacao@diarioam.com.br

Manaus – Prédios abandonados em Manaus oferecem riscos a moradores e à população em geral, segundo disse o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), em discurso na Assembleia Legislativa do Estado (ALE). Há dois meses, a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) publicou reportagem informando que centenas de pessoas ocupam, há mais de 20 anos, prédios embargados por dívidas, disputados na Justiça ou abandonados por construtoras falidas.

O assunto na ALE tomou destaque após o edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, que abrigava 146 famílias irregularmente, desabar após um incêndio, na última terça-feira, deixando desaparecidos. O imóvel, apesar de já ter sido sede da Polícia Federal (PF), estava em péssimas condições e pertencia ao governo federal.

O deputado Serafim Corrêa lembrou, em discurso na ALE, que esses imóveis correm o risco de incêndio. (Foto: Eraldo Lopes)

Para o deputado Serafim Corrêa, há risco de vida para os ocupantes de prédios abandonados em Manaus porque, segundo o parlamentar, a maioria dos imóveis abandonados pertence às esferas federal, estadual e municipal e, ao menos dois deles, estão tomados por moradores de rua.

“Cada esfera de poder deve, urgentemente, tomar as medidas cabíveis para solucionar esse problema”, defendeu Serafim, alertando que os prédios do antigo Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps), localizado no cruzamento das ruas Quintino Bocaiúva e Guilherme Moreira, e o da antiga Casa do Estudante da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), na Rua Barroso, no Centro da cidade, estão em total situação de abandono e são, hoje, o lar de diversos moradores de rua.

“Todos esses imóveis correm o risco de incêndio, e de pessoas inocentes perderem a sua vida, como, lamentavelmente aconteceu em São Paulo. É preciso que o poder público cuide do que é seu. Se esses órgãos decidirem deixar os moradores de rua vivendo nesses prédios, que a eles deem o mínimo de condição digna de moradia, porque, nos moldes em que estão ocorrendo essas ocupações, o risco de uma tragédia é grande”, disse.

Em 4 de março deste ano, a RDC publicou reportagem informando que centenas de pessoas ocupam, há mais de 20 anos, prédios particulares embargados por dívidas, disputados na Justiça ou simplesmente abandonados por construtoras falidas. Segundo a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), as famílias de baixa renda moram em locais com infiltrações, ligações clandestinas de energia, impostos atrasados e não conseguem vaga em programas sociais de habitação.