Quatro municípios do AM decretam Alerta por conta da enchente

Parintins, Nhamundá, Barreirinha e Boa Vista do Ramos podem sofrer com a cheia e passarão a ser monitorados. Outras três cidades já estão em Alerta, no Estado

Édria Caroline

Manaus – A Defesa Civil do Amazonas decretou Estado de Alerta em quatro municípios do Baixo Amazonas. O anúncio aconteceu durante entrevista coletiva, na sede do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), na manhã desta quarta-feira (30). Parintins, Nhamundá, Barreirinha e Boa Vista do Ramos podem sofrer com a cheia, caso a calha do Rio Amazonas transborde por conta das fortes chuvas que devem atingir a área até o início do mês de junho.

Na fase final do inverno amazônico, a atenção da Defesa Civil está voltada aos municípios da calha dos rios Solimões e Amazonas, que ainda recebem grandes quantidades de chuvas e de águas, provendo outras bacias que interligam e terminam na calha do Rio Amazonas.

Parintins é um dos municípios que decretou Estado de Alerta (Foto: Divulgação/Defesa Civil)

“Por isso, nós achamos que, por precaução, por prudência, Parintins, Nhamundá, Barreirinha e Boa Vista do Ramos estão em Situação de Alerta, para que a gente possa monitorar de perto e, caso haja o transbordamento da calha o Rio Amazonas, a Defesa Civil possa atuar em parceria com os municípios em prol das famílias que vivem nas áreas de possível alagamento”, explicou o secretário da Defesa Civil do Amazonas, Fernando Pires Jr.

Os quatro municípios da calha do Rio Amazonas se juntam à Humaitá, Borba e Nova Olinda do Norte, calha do Rio Madeira, que já tinham decretado Alerta. A situação de emergência, por conta da enchente, chegou aos municípios de Manicoré e Novo Aripuanã, da calha do Rio Madeira, onde 4.500 famílias foram afetadas.

Em Manaus, a previsão é de que o nível da cheia chegue a 28,70 metros, 0,55 metros abaixo da cheia de 2017 e considerado dentro da média, segundo a coordenadora do programa de alerta de cheias, Luna Simões. A subida do rio tem registrado, diariamente, cerca de 7cm, e deve continuar até o início do mês de julho.

“Normalmente, a cheia ocorre até o meio de junho. Esse ano, observando as cotas ao longo do ano, observando as cotas de Tabatinga, a gente espera que ela vá atrasar um pouco. Então, provavelmente o rio vai continuar subindo até o final de junho, início de julho”, disse.

O chefe da Divisão de Metereologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Dallarosa, explica que Manaus está em transição da estação chuvosa para a seca, então as chuvas devem reduzir nos próximos três meses, mas essa redução acontece de forma progressiva.

“Do centro norte para baixo, as chuvas se reduzem sensivelmente, mas daí para cima não. Então nós devemos ter bastante chuva ainda no noroeste do Amazonas. Uma coisa é a chuva que cai, outra coisa é o reflexo dela nos rios, onde precisa ser observado qual é a condição atual desses rios”, afirma Dallarosa.

Calha do alto Rio Negro é a mais prejudicada

Por ter uma bacia hidrográfica menor, os municípios do Alto Rio Negro, que estão saindo do Estado de Emergência por conta da estiagem, pela pouca quantidade de chuva nos primeiros meses do ano, agora devem voltar para Emergência por conta da enchente, levando em consideração a grande quantidade de chuva que deve atingir a região até o início de junho.

“O (Rio) Negro continua subindo. Então, principalmente lá em São Gabriel da Cachoeira, ele subiu bastante. Tivemos um período bem seco no início do ano, mas tem chovido bastante nessa época. O rio subiu, está acima do normal, então a gente precisa acompanhar de perto para tentar amenizar, caso ocorra uma grande cheia lá na região”, explica a coordenadora do programa de alerta de cheias, Luna Simões.

Os municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, por conta da estiagem, precisaram receber da Defesa Civil do Estado atendimento com ajuda humanitária, já o município de Barcelos ficou em situação de alerta.