Saúde: profissionais do Estado protestam contra atraso salarial e falta de materiais

Manifestação ocorre em frente ao 28 de Agosto. Segundo o grupo, além de atraso salarial de cinco meses, os profissionais sofrem com a a falta de materiais básicos, como soros, antibióticos e esparadrapos

Filipe Távora / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Profissionais da rede estadual de Saúde realizam manifestação, em frente ao Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, na Avenida Mário Ypiranga, zona centro-sul de Manaus, na noite deste domingo (3). O grupo diz que protesta contra atraso salarial e falta de materiais básicos para o trabalho.

“É uma indignidade, uma maldade, quase um crime, o que o governo está fazendo com a gente”, disse o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), e vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) Mário Rubens Macedo Vianna, de 64 anos.

A manifestação começou por volta das 18h e não tem horário para acabar. Segundo Vianna, além do atraso salarial de cinco meses, profissionais da Saúde estão enfrentando problemas devido à falta de materiais básicos como soros, antibióticos e esparadrapos. “Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, além de outros profissionais, são atingidos por essa realidade”, disse.

Profissionais da rede estadual de Saúde realizam manifestação, em frente ao Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto (Foto: Filipe Távora/Divulgação)

O presidente da Simeam fez outras críticas ao governo do Estado. “É bem verdade que esse problema já vem do governo anterior, mas o atual ganhou a eleição e tem que dar sua solução. O sindicato já passou a eles toda a problemática do que estamos passando”, relatou Vianna, que afirmou, ainda, que a Federação Nacional dos Médicos denunciará o caso ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e ao Ministério Público Federal (MPF).

Vianna disse que a classe médica está muito unida, e que é a primeira vez que ele presencia uma manifestação em que todas as entidades médicas do Estado estão presentes. “No caso aqui, o conselho de medicina e o sindicato estão juntos”, afirmou.

Dentre as entidades da área da Saúde que apoiam a manifestação, constam : o Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (Icea), Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Amazonas (Coopanest) e o Conselho de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam), de acordo com Vianna.

Ainda conforme o presidente do Simeam, os organizadores da manifestação acionaram agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans) e policiais da Polícia Militar (PM) para cuidarem da segurança do local.

De acordo com o cirurgião José Francisco dos Santos, 62, que atua HPS 28 de Agosto, os manifestantes não pretendem fazer greve. “Nós jamais seríamos irresponsáveis de paralisar os serviços do hospital”, afirmou Santos, que dirigiu o hospital por nove anos.

Nota da Susam

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) se manifestou em nota, em que afirma que “respeita o direito do trabalhador à livre manifestação e reitera que está cumprindo com o que acordou em reunião com as empresas médicas, no último dia 24 de janeiro, de executar o pagamento de parte da competência referente ao mês de dezembro”.

De acordo com a Susam, os processos de pagamento estão acontecendo desde a semana passada, por uma força-tarefa montada na secretaria. “Até a sexta-feira (01/02), já havia sido autorizado pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) um total de R$ 28,4 milhões referentes aos R$ 65,7 milhões acordados, além de concluído o pagamento de R$ 32 milhões de restos a pagar de 2018, num total de 58,4 milhões liberados em uma semana e já creditado em conta. Outros R$ 13 milhões estão previstos para o início da semana. Os pagamentos continuarão sendo liquidados conforme forem se tornando aptos”, diz a nota.

A secretaria diz, ainda, que com a manifestação dos profissionais da Saúde, “a direção das unidades atuou no sentido de organizar e manter a rotina normal de atendimento e garantir os serviços aos usuários que buscaram os prontos-socorros e a rede de urgência e emergência”.

Conforme a secretaria, os atendimentos de urgência e emergência são realizados conforme a classificação de risco, priorizando os casos mais graves, que são atendidos primeiro e que, em momentos de pico, como nos fins de semana, onde os prontos-socorros são as únicas unidades com portas abertas, pode haver sobrecarga e demora no atendimento. “Nesse sentido, foram tomadas as medidas necessárias para desafogar unidades como o Pronto-Socorro 28 de Agosto, com transferências e reforço de equipes”, afirma a nota.

A Susam diz que a atual gestão trabalha “para melhorar o atendimento, acabar com os atrasos nos pagamentos aos fornecedores e prestadores de serviços e também para suprir as unidades com medicamentos e insumos necessários”.