Sindicato dos Rodoviários diz preferir greve a liberar catraca a usuários

O presidente do sindicato, Givancir Oliveira, se nega a liberar as catracas, alegando infração à legislação, mas não lembrou que são frequentes os casos em que o sindicato para 100% da frota, o que é proibido por lei e gera multas ao sindicato

Manaus – O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTR), Givancir Oliveira, disse, nesta terça-feira (23), em entrevista coletiva, que prefere transferir para os usuários os transtornos de uma greve nos ônibus a liberar as catracas para os passageiros andarem de graça, num protesto que afetaria diretamente os lucros das empresas do sistema.

A pergunta feita a Givancir: porque os rodoviários, sempre que querem protestar acabam prejudicando os outros trabalhadores ao invés de prejudicar as empresas, por exemplo, liberando a catraca para transportar de graça? Ele respondeu: “A população que me desculpe. Não é possível fazer catraca livre. A lei não permite”, afirmou Gilvancir, que chegou a hostilizar a equipe de reportagem da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC): “Ah…vai estudar! Vê se é possível isso aí?”.

O presidente do sindicato, Givancir Oliveira, se nega a liberar as catracas, alegando infração à legislação (Foto: DA)

O STTR está reivindicando reajuste salarial de 6,5%. Os empresários dizem que só darão o reajuste se houver aumento no preço das passagens. E o prefeito de Manaus, Arthur neto (PSDB), disse que não haverá aumento e denunciou que há um “conluio” (combinação) entre os rodoviários e os donos das empresas para forçar o reajuste e prejudicar os usuários.

Gilvancir alegou que liberar as catracas em protesto, para o usuário usar o ônibus de graça é contra a lei e pode gerar multas para o STTR. Ele não lembrou que são frequentes os casos em que o sindicato para 100% da frota ou realiza atos sem avisar previamente as autoridades, o que é proibido por lei e gera multas para ser paga pelo sindicato.

No ano passado, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT 11ªRegião) chegou a determinar o bloqueio imediato de R$ 600 mil nas contas do sindicato, em punição às seis horas de paralisação de 100% da frota.

A RDC também perguntou a Givancir se as constantes greves no sistema eram políticas, em função de o vereador Jaildo de Oliveira Silva, irmão dele, ser membro do PCdoB, partido de oposição ao prefeito Arthur Neto e ao partido dele, o PSDB, em nível nacional. E se as greves têm alguma ligação com o fato de Arthur estar concorrendo à prévias do PSDB para ser candidato a presidente da República?

Givancir respondeu que a greve não tem cunho político e ameaçou entrar com uma ação criminal contra o prefeito. “Nós vamos entrar com a ação, pois nós não temos conluio, se alguém tem conluio aqui é ele. Eu não tenho rabo preso com ninguém”, disse. E disse que, em dez dias, se não conseguir negociar, o sindicato vai promover uma greve geral.

Na semana passada, após reunião com o vice-prefeito de Manaus, Marcos Rotta, o tesoureiro do STTR, Josildo de Oliveira, garantiu que não haveria greve no sistema na última segunda-feira, dia 22. Segundo ele, ficou acertado a busca de novas alternativas para que se chegue ao reajuste salarial da categoria e mantenha-se o valor da tarifa. “A greve está suspensa. Voltaremos a conversar para buscar o melhor para o trabalhador e também para a população. Os rodoviários precisam e merecem esse reajuste. O prefeito em exercício Marcos Rotta entende a situação e, por isso, teremos novas conversas para chegarmos ao melhor para os trabalhadores, sem afetar a população”, disse Josildo. Na segunda-feira, o STTR parou 27 linhas do sistema, no final da tarde.

Prefeito chama paralisação de covardia

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, usou sua página no Facebook, na noite desta segunda-feira (22), para reagir ao estado de greve deflagrado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) que paralisaram 27 linhas, nas primeiras horas da noite desta segunda. “Manaus foi vítima de uma enorme e inominável covardia de um conluio entre as empresas de ônibus e os líderes rodoviários. Algo imperdoável”, afirmou.

Arthur disse que a “greve é ilegal” e reafirmou que não haverá reajuste na tarifa de ônibus (Foto: Divulgação/Semcom)

Arthur disse que a “greve é ilegal” e reafirmou que não haverá reajuste na tarifa de ônibus. “Isso tem que acabar! Os empresários estão forçando inadimplências para obter reajuste na tarifa e não vão obter. Tenho bala na agulha para responder ambos”, declarou. Ele continuou o desabafo, determinando que empresários e líderes rodoviários se recolham ao bom senso e “evitem uma guerra contra a prefeitura, porque não vão se dar bem”.

“Se os empresários de ônibus estão insatisfeitos que se retirem agora daqui. Terei o prazer em vê-los pelas costas. Sei do conluio, de como estão manipulando os líderes rodoviários e, agora, passaram dos limites com essa paralisação na hora do pico, tentando criar na cidade um falso caos. Estão falando que hoje vão fazer greve. Estou esperando, aguardando a greve”, salientou.

O prefeito de Manaus ressaltou, ainda, que “tem diversos defeitos e que não é medroso e nem é burro”. “Se não sou medroso e nem sou burro, devo ter armas para responder isso a altura. E os perdedores serão os gananciosos e oportunistas. Greve irregular e ilegal deve ser punida pela Justiça do Trabalho”, finalizou.