Substância que pode bloquear a produção do vírus zika é descoberta por cientistas

Em mais de 99% dos testes, a produção do vírus diminuiu com a 6-metilmercaptopurina ribosídica (6MMPr), usando diferentes dosagens e tempos de reação. Próximo passo será o teste em um organismo vivo

Agência Brasil/redacao@diarioam.com.br

Brasília – Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, descobriram uma substância que pode bloquear a produção do vírus zika em células epiteliais e neurais. O estudo a respeito da 6-metilmercaptopurina ribosídica (6MMPr) foi publicado, na última sexta-feira (11), na revista International Jornal of Antimicrobial Agents, mas a instituição divulgou somente ontem a descoberta.

A substância atua contra o tipo de zika que circula no Brasil. Os testes foram realizados in vitro pelo Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco.  Em mais de 99% dos testes, a produção do vírus diminuiu com a 6MMPr, usando diferentes dosagens e tempos de reação.

O estudo também identificou que a 6MMPr é menos tóxica para as células neurais, uma boa notícia para futuros tratamentos de infecções no sistema nervoso. “Diante das manifestações neurológicas associadas ao vírus zika e os defeitos congênitos provocados pelo mesmo, o desenvolvimento de antivirais seguros e efetivos são de extrema urgência e importância”, afirma o coordenador da pesquisa, Lindomar Pena, conforme texto enviado pela Fiocruz.

A investigação da substância começou há um ano, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe). O próximo passo da pesquisa é uma avaliação in vivo, ou seja, feita em um organismo vivo.