Susam é multada por esgoto de policlínica; dejetos do hospital vão parar em igarapé

Após denúncia, Instituto de Proteção Ambiental do Estado (Ipaam) identificou que os dejetos do PAM Codajás são jogados em uma vala escavada e direcionados para um igarapé

Gisele Rodrigues

Manaus – A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) foi multada em R$ 25 mil por despejar, a céu aberto, as fezes e urina do esgoto sanitário doméstico de pacientes e funcionários do Pronto-Atendimento Médico da Codajás (PAM Codajás). O Instituto de Proteção Ambiental do Estado (Ipaam) identificou que os dejetos do hospital localizado no bairro Cachoerinha, na zona centro-sul, são jogados em uma vala escavada e direcionados para um igarapé.

Quase 30 dias depois da Susam ser notificada sobre a multa, a reportagem esteve no PAM Codajás e os dejetos continuam sendo despejados no local denunciado.

Susam foi multada em R$ 25 mil por despejar, a céu aberto, as fezes e urina do esgoto sanitário doméstico de pacientes e funcionários do PAM Codajás. (Foto: Eraldo Lopes)

O Ipaam atendeu uma denúncia do médico sanitarista Menabarreto Segadilha, que informou o dano ao meio ambiente na área verde pertencente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ao lado do PAM, no último dia 5 de abril.

Segadilha contou que, há cerca de dois meses esteve no local para ministrar uma palestra, e ao estacionar seu veículo sentiu o forte cheiro de fezes humanas que tomava o ambiente. “Fui dar uma palestra no PAM Codajás, estacionei no setor dos funcionários, próximo de dois cilindros da White Martins e senti o odor de gás metano, relativo às fezes humanas”, confirmou.

O médico sanitarista explicou que, além do forte cheiro, o esgoto não tratado pode contaminar pacientes, funcionários e moradores das adjacências a longo prazo. “Primeira coisa: é um estabelecimento que deve promover saúde e o gás metano invade o ar-condicionado, comprometendo todo o ambiente, além de estar dando um exemplo negativo em relação ao meio ambiente. Lá tem um igarapé e pode contaminar outras pessoas”, alertou ele.

Conforme o auto de infração que a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) obteve acesso, a equipe de fiscalização do instituto constatou a irregularidade e foi informada que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da unidade até existe, mas está desativada. “Quando do questionamento acerca do descarte desses efluentes de forma inadequada, fomos informados que naquele local tinha uma ETE, que por circunstâncias desconhecidas a mesma fora desativada”, disseram os técnicos do instituto no documento.

Além da multa, o Ipaam exigiu da Susam que apresente um projeto de ETE. O órgão informou que no projeto deve constar o cronograma de readequação ou execução, o prazo para reativar a estação de tratamento não deve ultrapassar 60 dias, após a aprovação do órgão competente.

A Susam precisa adotar procedimentos para recuperar os danos causados com o lançamento dos dejetos a céu aberto no local. No documento, o Ipaam determinou que a certificação do serviço tem que ser encaminhado ao órgão.

Após notificada, a Susam tem o prazo de 20 dias para pagar o valor e 20 dias para apresentar a defesa da multa e denúncia imposta pelo Instituto. Um ofício direcionado ao secretário da Susam, Francisco Deodato, foi encaminhado no último dia 8.

A equipe de reportagem esteve no local, ontem, e o esgoto a céu aberto proveniente do PAM ainda era abundante e com o odor forte.

Susam confirma o problema

Em nota, a Susam confirmou o problema e disse que ele “ocorre desde gestões anteriores”. Segundo a nota, “quando a Policlínica Codajás foi construída, não foi feita uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE)”. Ainda de acordo com a nota, “a atual gestão da Susam (…) identificou o problema e está realizando estudo para criação de uma ETE para a unidade de saúde”. A nota encerra dizendo que “o processo está sendo preparado e será encaminhado para licitação”, sem dar prazo de quando o problema será resolvido.