Tratamento de indígenas venezuelanos será acompanhado por lideranças xamânicas

Os casos mais comuns de doenças encontradas entre os membros dos grupos que estão em Manaus são catapora, conjuntivite, pneumonia e tuberculose

Indígenas estão em Manaus desde dezembro do ano passado (Foto: Marinho Ramos/Semcom)

Manaus – As ações de saúde voltadas aos indígenas venezuelanos da tribo Warao, que estão em Manaus desde dezembro de 2016, terão a atuação direta dos líderes e xamãs que se prontificaram a acompanhar os tratamentos prescritos pelos médicos da rede municipal de saúde.

A parceria com as lideranças da etnia foi fechada na tarde de quinta-feira (25), na Unidade Básica de Saúde Mansour Bulbol, no Alvorada, zona centro-oeste, pela equipe do projeto ‘Consultório na Rua’, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Segundo o coordenador do ‘Consultório na Rua’, Jailson Barbosa, esses líderes passarão a se organizar para falar por eles, numa linguagem que eles, indígenas, entendem.

“Este é um momento muito importante no trabalho de monitoramento e de atenção básica a essas famílias. Vínhamos encontrando muita resistência da parte deles quanto à aceitação a medicina alopática porque eles não conseguiam compreender a necessidade de tomar os remédios nos horários estabelecidos e acreditavam na cura por meio de rituais xamânicos”, explicou Jailson.

Uma das grandes dificuldades no tratamento de doenças mais graves, como pneumonia, era a ‘desospitalização’, principalmente de crianças, sem a alta médica.

Outro ponto identificado pelas equipes da Semsa com as chamadas ‘recaídas’ era a dificuldade dos indígenas tomarem a medicação de forma correta, por não entenderem como usar os remédios.

Os casos mais comuns de doenças encontradas entre os membros dos grupos que estão em Manaus são catapora, conjuntivite, pneumonia e tuberculose.

Dados da Secretaria de Estado da Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) apontam que até o dia 23 deste mês, havia, Manaus, 519 indígenas venezuelanos distribuídos em abrigos nas ruas Dr. Almino e Quintino Bocaiúva, no Centro; no Mutirão, zona leste; e no acampamento montado no entorno do Terminal Rodoviário.