Triplica o número de raios que tocam o chão em Manaus

Em Manaus, o número de descargas nuvem-solo saiu de 80,1 mil, em 2016, para 299,4 mil no ano passado. Em todo o Estado, foram 54 milhões de descargas elétricas atingindo o chão, em 2017

Manaus – A quantidade de raios que atingiu o chão, em Manaus, triplicou em 2017. Na capital, o número de descargas nuvem-solo saiu de 80,1 mil, em 2016, para 299,4 mil no ano passado. Em todo o Estado, foram 54 milhões de descargas elétricas atingindo o chão, no ano de 2017. Os dados são do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com exclusividade para a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC).

No Amazonas, o número também triplicou em 2017. No ano anterior, foram 16,8 milhões de raios, segundo o Elat. O Estado está em 2º lugar no ranking de densidade de descargas elétricas por metro quadrado, entre as outras Unidades da Federação.

O Amazonas está em 2º lugar, no País, em densidade de descargas elétricas por metro quadrado (Foto: Sandro Pereira)

De acordo com o Elat, o raio é uma descarga elétrica que ocorre geralmente durante uma tempestade entre partículas positivas do solo e negativas das nuvens. A urbanização e a construção de torres telefônicas e prédios altos também influenciam na ocorrência de raios, conforme explicou o órgão.

“As ilhas de calor criadas pelos grandes centros urbanos, em função das superfícies artificiais (asfaltos), dificuldade de reirradiação, por causa dos prédios, falta de vegetação e poluição atmosférica contribuem para o aumento das tempestades”, informou o órgão.

Embora o som ensurdecedor de um trovão assuste a maioria das pessoas, em geral, ele é inofensivo, segundo o Elat. “No entanto, o deslocamento de ar pode derrubar uma pessoa que esteja muito perto do local de incidência do raio, podendo até causar sua morte”, alertou o Elat.

Ainda segundo o Elat, a intensidade de qualquer som é geralmente dada em decibéis. Um trovão intenso pode chegar a 120 decibéis, uma intensidade comparável a que ouve uma pessoa que está nas primeiras fileiras de um show de rock.

“Um trovão dificilmente pode ser ouvido se o raio acontecer a uma distância maior do que 20 quilômetros”, explicou o órgão.

Mortes

Raios são descargas elétricas de grande intensidade que conectam o solo e as nuvens de tempestade na atmosfera. A intensidade típica de um raio é de 30 mil Ampères, cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico e pode levar à morte, enquanto percorre distâncias da ordem de cinco quilômetros.

Em todo o País, de 2000 até 2017, foram registradas 2.026 mortes por raio. Somente no ano passado foram 55 mortes por raio, segundo o Elat.

“A chance de uma pessoa ser atingida diretamente por um raio é muito baixa, sendo em média menor que um para 1 milhão. Contudo, se a pessoa estiver numa área descampada, embaixo de uma tempestade forte, esta chance pode aumentar em até um para mil”, afirmou o órgão.

Entretanto, não é a incidência direta do raio a maior causadora de mortes e ferimentos. De acordo com o Elat, geralmente são os efeitos indiretos e a proximidade dos raios que trazem risco. As descargas também provocam incêndios e queda de linhas de energia.

As descargas elétricas são responsáveis por um grande número de linhas de distribuição elétrica, conforme informou o grupo. Além da queima de transformadores, segundo o Elat, cerca de 70% dos desligamentos de transmissão e 40% de distribuição de energia elétrica foram ocasionadas pelos raios.

Chance de morrer

Em setembro do ano passado, o Amazonas já era o segundo Estado com maior densidade de raios por quilômetro quadrado, por ano, com 15,8 raios por quilômetro quadrado. São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros a noroeste de Manaus) é a cidade com maior probabilidade de alguém morrer atingido por raio.

Já a área entre Coari (a 363 quilômetros a oeste de Manaus) e Manaus é a região que mais tem raios no Brasil. O Elat já previa que a região amazônica iria ter um aumento na incidência do fenômeno nas próximas décadas.